Por Fernanda Sabino
A busca pelo tão sonhado hexacampeonato segue mobilizando milhares de brasileiros nos Estados Unidos, sede da Copa do Mundo de 2026 ao lado de México e Canadá. Depois da estreia com empate em 1 a 1 diante do Marrocos, no último sábado (13), em Nova York, a Seleção Brasileira volta a campo nesta sexta-feira (19), na Filadélfia, para enfrentar o Haiti em uma partida considerada decisiva para as pretensões da equipe na competição.
O resultado da primeira rodada deixou o grupo equilibrado e aumentou a importância do próximo compromisso. Mais do que os três pontos, uma vitória convincente pode representar o impulso necessário para fortalecer a confiança da equipe e da torcida em busca do hexa. Entre os brasileiros que acompanham de perto a trajetória da Seleção nos Estados Unidos, o clima é de otimismo e expectativa por uma atuação mais segura do time.
Entre os torcedores presentes está o potiguar Raphael Nóbrega, integrante do Movimento Verde Amarelo (MVA), principal torcida organizada da Seleção Brasileira. Criado em 2008, o movimento reúne brasileiros de diferentes regiões do país e do mundo para apoiar a equipe nacional nos estádios.
Raphael participa da sua quarta Copa do Mundo e descreve a experiência como uma mistura de paixão, reencontros e amor pelo futebol.
Segundo ele, acompanhar a Seleção em um Mundial vai muito além dos 90 minutos de cada partida.
“Viver Copa do Mundo é maravilhoso para quem ama futebol. A gente encontra brasileiros de todas as partes do mundo, cria amizades e consegue levar um pouco do Brasil para qualquer lugar onde a Seleção esteja jogando”, afirmou.
Mesmo diante das críticas que cercam o futebol brasileiro nos últimos anos, Raphael acredita que o torcedor não pode abandonar a confiança na equipe. Para ele, a presença da torcida nas arquibancadas representa uma demonstração de apoio incondicional em um momento importante da competição.

Confiante em uma recuperação já na segunda rodada, o potiguar aposta em uma vitória confortável diante do Haiti. “A gente está animado para trazer o hexa na volta para o Brasil. Acho que o próximo jogo será uma goleada de 3 a 0. É importante fazer saldo de gols porque o grupo ficou muito equilibrado. Temos que aproveitar essa oportunidade”, avaliou.
Outro integrante do Movimento Verde Amarelo presente nos Estados Unidos é Emídio Mamede, que também acompanha a Seleção em sua quarta Copa do Mundo. Para ele, o ambiente vivido pelos torcedores brasileiros tem sido um dos pontos altos do torneio. “A festa está muito bonita. Os torcedores do Brasil sempre acreditam e continuam acreditando que o Brasil vai ser hexa.
Independentemente da fase, o Brasil sempre chega como favorito porque é uma seleção gigante”, afirmou.
Emídio avalia que a diferença técnica entre as equipes deve favorecer a Seleção Brasileira e permitir uma atuação mais tranquila do que a apresentada na estreia. Apesar de não prever uma goleada elástica, ele acredita em um triunfo sem maiores sustos. “A expectativa é de uma vitória mais fácil. O Haiti é uma equipe mais fraca e o Brasil tem condições de controlar o jogo. Meu palpite é 2 a 0”, disse.
Já André Augusto Dantas demonstra ainda mais confiança. Também em sua quarta participação em Copas do Mundo acompanhando a Seleção, ele acredita que o empate na estreia foi consequência da pressão natural de um primeiro jogo e do processo de evolução da equipe ao longo do torneio. “O primeiro jogo sempre é mais nervoso. Os jogadores sentem o peso da camisa do Brasil. Mas acredito que o time ainda vai crescer muito durante a competição”, analisou.
Para André, a partida contra o Haiti pode marcar o início de uma arrancada brasileira rumo às fases decisivas do Mundial. O torcedor não economiza no entusiasmo quando o assunto é o placar. “Agora vamos dar uma goleada. Meu palpite é 8 a 0 para esquentar as turbinas em busca do hexa. Vamos todos juntos buscar a sexta estrela”, declarou.
Jejum de 24 anos
A Copa do Mundo de 2026 marca um momento simbólico para o futebol brasileiro. Caso não conquiste o título, a Seleção completará 24 anos sem levantar a taça, igualando o maior período de jejum de sua história. O intervalo é exatamente o mesmo registrado entre o tricampeonato conquistado por Pelé em 1970 e o tetracampeonato liderado por Romário, em 1994.
Desde o pentacampeonato de 2002, o Brasil acumulou eliminações dolorosas em diferentes edições do Mundial. Em 2006, caiu nas quartas de final para a França. Em 2010, sofreu a virada da Holanda também nas quartas. Em 2014, vivendo a Copa em casa, protagonizou o traumático 7 a 1 diante da Alemanha na semifinal. Já em 2018, foi superado pela Bélgica, enquanto em 2022 acabou eliminado pela Croácia nos pênaltis após sofrer o empate na prorrogação.
Agora, em solo norte-americano, a Seleção tenta encerrar um dos períodos mais longos sem títulos de sua trajetória e transformar a esperança dos torcedores em realidade. Para quem atravessou continentes para acompanhar o time de perto, como os integrantes do Movimento Verde Amarelo, a crença permanece intacta: o hexa ainda é possível.

