A chuva de meteoros Perseidas atingirá o período de máxima atividade entre a noite desta quarta-feira (12) e a madrugada de quinta-feira (13). O fenômeno, considerado um dos mais conhecidos do calendário astronômico, poderá ser observado a olho nu, sem a necessidade de telescópios ou binóculos.
Embora as Perseidas apresentem condições mais favoráveis de observação no Hemisfério Norte, as regiões Norte e Nordeste do Brasil terão as melhores possibilidades para acompanhar o fenômeno no país. Isso ocorre porque o ponto do céu de onde os meteoros parecem surgir, chamado de radiante, fica na constelação de Perseus, em uma posição bastante ao norte.
Segundo o astrônomo Dr. Marcelo De Cicco, do projeto de monitoramento de meteoros EXOSS, a chuva das Perseidas pode ser observada anualmente entre meados de julho e o fim de agosto. Em 2026, o período oficial da chuva vai de 17 de julho a 24 de agosto, enquanto o pico de atividade ocorre agora.
O período mais favorável para observar os meteoros será durante a madrugada do dia 13 de agosto. A recomendação é procurar um local com pouca iluminação artificial e observar o céu principalmente entre 3h e 5h30.
O horário pode variar de acordo com a localização do observador. De modo geral, quanto mais ao Sul do país, mais tarde o radiante ficará em uma posição favorável no céu.
A direção indicada é o Norte ou Nordeste. O ideal é evitar locais com muita iluminação urbana e permitir que os olhos se adaptem à escuridão por pelo menos 20 minutos.
Não é necessário utilizar equipamentos ópticos. A observação pode ser feita simplesmente a olho nu.
Uma das condições que podem favorecer a observação das Perseidas neste ano é a ausência de luminosidade da Lua. Em 2026, o fenômeno ocorre próximo à Lua nova, cuja fase atingiu o ápice às 14h37, no horário de Brasília, do dia 12 de agosto.
Com o céu mais escuro, a luminosidade natural da Lua não deve interferir na visualização dos meteoros, especialmente para quem estiver em locais afastados das luzes das cidades.
A quantidade de meteoros observada no Brasil será menor do que as taxas divulgadas para o Hemisfério Norte. Isso acontece porque o radiante das Perseidas fica na constelação de Perseus, com declinação de aproximadamente +58 graus, fazendo com que apareça baixo no horizonte para observadores do Hemisfério Sul.
Na astronomia, a chamada Taxa Horária Zenital (ZHR) representa uma estimativa teórica da quantidade de meteoros que poderia ser observada em uma hora sob condições ideais, com o radiante no alto do céu e sem interferência de luz ou obstáculos.
Por isso, a previsão de mais de 100 meteoros por hora não corresponde necessariamente ao que será visto por quem estiver no Brasil.
Em condições de céu escuro e sem nuvens, a expectativa é de:
- Região Norte: melhor visibilidade do país, com possibilidade de observar entre 15 e 20 meteoros por hora;
- Nordeste e Centro-Oeste: estimativa de 5 a 10 meteoros por hora;
- Sudeste e Sul: possibilidade de observar entre 1 e 5 meteoros por hora.
Nas regiões Sudeste e Sul, a baixa posição do radiante também pode proporcionar uma oportunidade de observar os chamados Earthgrazers, meteoros que atravessam a alta atmosfera em trajetórias mais longas e próximas ao horizonte.
Perseidas são formadas por detritos de cometa
As Perseidas são produzidas por pequenos fragmentos deixados pelo cometa Swift-Tuttle ao longo de sua trajetória. Quando a Terra atravessa essa corrente de detritos, as partículas entram na atmosfera em alta velocidade e produzem os rastros luminosos que podem ser vistos no céu.
Os meteoros das Perseidas chegam a aproximadamente 59 quilômetros por segundo e podem apresentar brilho e coloração variados. Em alguns casos, deixam rastros ionizados que permanecem visíveis por alguns segundos.
Como fotografar a chuva de meteoros
Quem quiser tentar registrar o fenômeno pode utilizar uma câmera digital DSLR ou mirrorless equipada com lente grande-angular. Uma configuração indicada é utilizar lentes entre 14 mm e 24 mm, com abertura máxima entre f/1.8 e f/2.8.
Também pode ser utilizado ISO entre 1600 e 3200 e exposições de aproximadamente 10 a 20 segundos, preferencialmente em sequência, com auxílio de um intervalômetro.
Para quem não possui equipamento fotográfico, entretanto, a recomendação é simples: encontrar um local escuro, direcionar a observação para o Norte ou Nordeste e ter paciência.

