Por Fernanda Sabino
A governadora Fátima Bezerra elevou o tom da disputa política para 2026 ao defender publicamente a trajetória do pré-candidato governista Cadu Xavier (PT) e associar sua imagem à honestidade e à ausência de investigações policiais. A declaração, dada em entrevista à 94 FM nesta segunda-feira (01), passou a ser interpretada nos bastidores como uma indireta direcionada ao também pré-candidato e ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que teve o nome citado em apurações da Operação Mederi, conduzida pela Polícia Federal, no início deste ano.
Com a pré-campanha ganhando força e a disputa pelo Governo do Estado cada vez mais polarizada, a governadora procurou diferenciar seu grupo político dos adversários ao destacar a conduta do ex-secretário estadual da Fazenda.
“Começando primeiro por um governo honesto, um governo que não tem Polícia Federal batendo na porta, que não tem secretário sendo acusado de desviar dinheiro na saúde e receber propina”, afirmou a governadora ao iniciar sua defesa do aliado.
Na sequência, Fátima reforçou os elogios ao pré-candidato governista e destacou sua passagem pela área econômica do Estado.
“Uma das qualidades extraordinárias de Cadu Xavier é exatamente essa. Além de trabalhador e preparado, ele é honesto”, declarou.
A governadora lembrou ainda que o aliado esteve à frente de uma das áreas mais sensíveis da administração estadual sem ter sido alvo de acusações ou investigações.
“Ele cuida de uma pasta que é exatamente a de Finanças e Tributação desde o início. Graças a Deus, a Polícia Federal nunca bateu na porta da casa dele. Ele nunca foi acusado de receber propina, de desvios na área da saúde e etc.”, afirmou.
Embora sem citar nomes diretamente, a fala foi interpretada no meio político como uma referência ao prefeito mossoroense, que lidera pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado e que recentemente viu seu nome associado aos desdobramentos da Operação Mederi.
Sobre a “Operação Mederi”
A Operação Mederi foi deflagrada pela Polícia Federal, em janeiro de 2026, em conjunto com a Controladoria-Geral da União para investigar um suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e pagamento de propinas envolvendo contratos da área da saúde em municípios potiguares.
Entre as empresas que aparecem nas investigações estão a Dismed e a Drogaria Mais Saúde, fornecedoras de medicamentos e insumos hospitalares que mantinham contratos com diversas prefeituras do Estado.
O nome de Allyson Bezerra passou a constar nos autos a partir de interceptações telefônicas e relatórios produzidos pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, empresários ligados à Dismed utilizavam a expressão “Matemática de Mossoró” para se referir a uma suposta divisão de recursos oriundos de contratos públicos. Em uma das conversas citadas pela PF, foi mencionada a destinação de 15% dos lucros para “Allyson”, referência que os investigadores atribuem ao então prefeito de Mossoró.
As apurações também analisam possíveis práticas de lavagem de dinheiro, pagamento de propina e direcionamento de contratos públicos em municípios como Mossoró, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha.
Desde que a operação foi deflagrada, a defesa de Allyson Bezerra nega qualquer irregularidade, sustenta que não existem provas que o vinculem aos fatos investigados e afirma que as acusações se baseiam em interpretações da Polícia Federal. Até o momento, não há condenação judicial definitiva contra o prefeito, empresários ou empresas citadas na investigação.

