O RN TENTA NÃO PARAR
A realidade fiscal do Rio Grande do Norte abandonou o campo das projeções para se tornar um cenário de insolvência prática. O que se observa na Governadoria não é mais gestão, mas um exercício desesperado de sobrevivência financeira que sacrifica o funcionalismo e aniquila a capacidade de investimento do Estado.
O anúncio do reajuste de 4,26% para os servidores gerais — índice inferior aos 5,4% concedidos aos professores — expôs a fragilidade do Tesouro Estadual. A proposta de parcelamento em seis vezes não é apenas uma estratégia administrativa; é uma confissão tácita de incapacidade de caixa. O governo Fátima Bezerra, sufocado por uma folha de pagamento que consome quase a totalidade da receita corrente líquida, opera hoje no limite da responsabilidade fiscal.
O grande vilão desta tragédia contábil atende pelo nome de IPERN. O déficit previdenciário do RN é uma bomba de efeito contínuo, apresentando rombos mensais que superam a marca dos R$ 100 milhões, sem citar o acumulado que já atinge mais de R$ 5 bilhões. Com um estoque de inativos que cresce em progressão geométrica frente a uma base de contribuintes estagnada, o Estado tornou-se uma imensa folha de pagamento que, por acaso, ainda tenta gerir serviços públicos.
O vaticínio do vice-governador Walter Alves sobre a “bomba” fiscal não foi apenas um alerta, mas uma previsão certeira do desgaste que hoje recai exclusivamente sobre Fátima Bezerra. A desistência do projeto ao Senado Federal em 2026 não foi um gesto de desprendimento, mas uma imposição da realidade: sem alternativa política ou fôlego financeiro, a governadora viu-se obrigada a permanecer no comando de uma nau que ameaça submergir.Enquanto o Estado luta titanicamente para honrar salários e aposentadorias, setores vitais como Saúde e Educação definham. O Rio Grande do Norte perdeu sua pujança e sua capacidade de atrair prosperidade, transformando-se em um ente federativo que trabalha apenas para pagar o ontem, negligenciando o hoje e comprometendo irremediavelmente o amanhã. A conta chegou, e o preço é a paralisia do desenvolvimento.
O Rio Grande do Norte não investe; ele apenas tenta não parar.
FEMINICIDIO
O Rio Grande do Norte poderá ser o primeiro estado brasileiro a implantar legislação que pune servidor público pela prática do feminicídio.
COMPLEMENTAR
O presidente da Assembleia Legislativa do RN, deputado Ezequiel Ferreira de Souza, despachou com as deputadas Divaneide Basilio, Cristiane Dantas e Terezinha Maia para tratar da tramitação do Projeto de Lei Complementar que prevê a suspensão e a vedação de promoção de servidores acusados de feminicídio e demais crimes hediondos.
DECISÃO
Considerado o primeiro projeto de lei do Brasil com esse alcance específico, o texto estabelece que servidores acusados de feminicídio ou crimes hediondos não poderão receber promoções enquanto estiverem respondendo judicialmente pelos crimes.
CELERIDADE
O deputado Ezequiel Ferreira de Souza se comprometeu em dar celeridade à tramitação da matéria, que já se encontra em andamento na Assembleia Legislativa.
SENADO
Ainda rende em toda a imprensa potiguar a forma “elegante” – para não utilizar o termo político “trairagem” – utilizada pelo União Brasil ao escantear politicamente o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (UB).
ERROS
O ex-prefeito Carlos Eduardo pode e deve ter cometido vários erros políticos durante sua trajetória, desde que se elegeu deputado estadual, principalmente em seus relacionamentos, mas não merecia o tratamento que lhe foi dado pelo candidato ao governo Alysson Bezerra (UB), nem muito menos do ex-senador José Agripino, presidente da legenda no estado.
ESFARRAPADA
Quando todas as agremiações partidárias priorizam eleger deputados federais e senadores, dizer que o partido, o União Brasil, só tem interesses nas candidaturas ao governo do estado e à Câmara dos Deputados, relevando a nenhum plano a eleição de Senador da República, parece piada sem graça.
ESFARRAPADA 2
E foi com a desculpa de que o União Brasil não tinha interesse em investir de uma candidatura ao Senado e que os recursos financeiros só iriam atender aos interesses das candidaturas ao governo do estado e a deputado federal, é que dispensaram Carlos Eduardo.
DESCULPA
Essa desculpa de que não existia recursos financeiros para candidatura ao Senado dada a Carlos Eduardo, foi, no mínimo, ridícula. Será que Alysson e José Agripino acreditam que Carlos Eduardo “engoliu” a desculpa esfarrapada?
RETROVISOR
Quase oito anos depois que a governadora Fátima Bezerra (PT) assumiu o comando do Rio Grande do Norte, correligionários petistas ainda culpam gestões anteriores pela atual crise no setor da saúde no estado. O deputado Francisco do PT, em discussão no plenário da Assembleia Legislativa, rebateu acusações da oposição ainda se utilizando desse argumento.

