Na semana em que se aproxima o Dia das Mães, o Diário do RN traz histórias de mulheres que encaram a maternidade real entre as tantas atribulações de uma rotina de multitarefas. Mulheres que entre o trabalho e os afazeres da casa, têm no maternar a missão de cuidar, proteger, dar afeto e educar filhos, sejam eles biológicos ou adotivos.
Dentro da pluralidade de formações familiares possíveis, o número de registros de casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, cresceu 8,8% entre 2023 e 2024, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desse total, as uniões entre mulheres representaram a maioria, correspondendo a 64,6% dos casos registrados no último ano.
Com o aumento no número de uniões homoafetivas, o número de núcleos familiares com genitores do mesmo sexo também cresceu. Em 12 anos, o número de lares teve o salto de 552%.
Em 2010, eram cerca de 60 mil lares; em 2022, esse número saltou para 391.158 domicílios.
Nessa primeira reportagem, o Diário do RN destaca a história de Claudia Ludimila e Micaela Freitas, juntas a dez anos, mães de Liz e Gael. A decisão de ter filhos veio do desejo profundo de construir um lar onde o afeto fosse um grande parceiro na jornada. “Viver a dupla maternidade é entender que o cuidado pode ser multiplicado. No nosso dia a dia, não existe um “papel fixo”; existe a entrega. Dividimos a função de guiar, proteger e ensinar, oferecendo aos nossos filhos duas referências de força, acolhimento e resiliência. ”, afirma Ludimila.

Para as famílias formadas por duas mães, a jornada é pavimentada com amor, mas também com desafios únicos que exigem força e resiliência. Ainda que o país tenha avançado no reconhecimento dos direitos das famílias homoafetivas, a dupla maternidade enfrenta obstáculos. A luta por reconhecimento legal, o enfrentamento de preconceitos em ambientes como escolas e, por vezes, a necessidade de explicar constantemente a estrutura familiar, demandam resiliência constante.
“Sabemos que o preconceito ainda é uma realidade persistente, mas escolhemos não deixar que ele dite o tom da criação dos nossos filhos. Para nós, criar com dignidade significa munir nossas crianças de autoestima e verdade”
A multiparentalidade é um poderoso testemunho de que o amor é o alicerce fundamental de um lar. Quando duas mulheres escolhem construir uma família e dividir a experiência de ser mãe, seja através de adoção, fertilização in vitro ou outros caminhos, o afeto, o cuidado e o suporte mútuo se multiplicam. “Essa dinâmica nos permite construir uma rede de apoio interna muito forte, onde o diálogo é a nossa principal ferramenta para equilibrar as demandas da vida profissional com a dedicação integral que a infância exige”
Ludimila e Micaela optaram pela FIV (método de fertilização in vitro), sendo Micaela a escolhida para gestar. Elas utilizam um perfil em redes sociais (@2irmãose2mães) para compartilhar a rotina e as experiências da família. Com aproximadamente 11 mil seguidores, as publicações contam desde o início do desejo pela maternidade até narrativas do dia a dia com os filhos pequenos, hoje com dois anos.
“Nossa história, compartilhada diariamente com quem nos acompanha, é um convite à reflexão.
Ocupar espaços em veículos como o Diário do RN é fundamental para mostrar que a nossa família é real, é presente e contribui para a sociedade com os mesmos valores éticos e de cuidado que qualquer outra. ”
O reconhecimento legal da dupla maternidade no Brasil foi estabelecido em 2017. O Provimento 63 do CNJ, implementado naquele ano, possibilitou o registro direto em cartório de crianças concebidas por reprodução assistida, eliminando a necessidade de ordem judicial. Além disso, os tribunais superiores garantem o reconhecimento de casos que envolvem “inseminação caseira” ou outros métodos socioafetivos.
Ludimila ainda afirma que elas lutam contra o preconceito não com o embate, mas com a existência plena e feliz. “Criamos nossos filhos para que eles caminhem de cabeça erguida, sabendo que foram gerados e são criados por um amor que não conhece fronteiras, apenas horizontes. ”
A história de Ludimila e Micaela é um recorte que replica a realidade de muitas outras famílias e que mostra o quanto a maternidade não se limita a formatos pré-estabelecidos, mas floresce onde há amor incondicional, pois só assim se vive a essência do que é maternar, independente do modelo familiar construído.

