A QUEDA DO INFALÍVEL
O cenário político de Brasília, mestre em sussurros e conspirações de corredores, testemunhou algo que muitos julgavam improvável: o silêncio atônito do Planalto diante de um painel de votação que teimava em não obedecer. A rejeição De Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal pelo Senado não foi apenas um “não” a um nome; foi uma derrota histórica, um choque de realidade que atingiu em cheio o prestígio de Luiz Inácio Lula da Silva.
A prerrogativa da indicação é, por direito constitucional, do Presidente da República. Disso, ninguém ousou discordar. No entanto, o que o governo parece ter ignorado — ou talvez subestimado — foi o desejo latente de uma base que queria ser ouvida. Os senadores, incluindo aliados de primeira hora, sinalizaram que a política de hoje não aceita mais o prato feito. Eles desejavam participar da escolha, assim como influenciaram na montagem dos Ministérios. O recado era claro: o nome de Rodrigo Pacheco contava com a simpatia e o aval do presidente da Câmara Alta e da Casa. Mas Lula, em um misto de convicção e teimosia, não entendeu — ou não quis entender.
O revés de Jorge Messias foi o ápice de uma tempestade perfeita. De um lado, uma oposição vigilante que, embora reconhecesse os méritos jurídicos do indicado, via nele o símbolo máximo das práticas do PT. Do outro, aliados feridos em sua vaidade política. Somado à recente derrubada do veto no projeto da Dosimetria, o governo viu seu “capitão” perder dois rounds sucessivos de forma acachapante.
A imagem do Lula infalível, o mestre das articulações que costura acordos impossíveis com um sorriso e um aperto de mão, sofreu uma fissura. O mito da invencibilidade ruiu sob o peso dos votos contrários. Contudo, seria um erro crasso — e até infantil — decretar o fim de sua era. A política é uma maratona de resistência, não uma prova de 100 metros rasos.
Lula perdeu a mão no Senado desta vez, é verdade. Mas ele permanece vivo, pulsante e detentor de uma resiliência poucas vezes vista na história política do país. Ele continua sendo o mestre das negociações, ainda que agora precise lamber as feridas e recalcular a rota. A derrota histórica serve como um freio de arrumação: o Rei está nu em sua infalibilidade, mas ainda ostenta a coroa do poder e a ambição de buscar o recorde absoluto de um quarto mandato. O jogo segue, e Brasília agora sabe que até os gigantes tropeçam quando deixam de ouvir o chão que pisam.
BURACOS
Atenção D.E.R./RN, parte da pista de asfalto da Avenida Prefeito Omar O’Grady tem verdadeiras crateras. É preciso providências urgentes antes que causem acidentes graves.
DESISTÊNCIA
O bem informado jornalista Cassiano Arruda Câmara conseguiu desvendar o mistério da candidatura do empresário Flávio Rocha ao Senado Federal, pelo Novo. Talvez tenha sido a desistência de quem nunca foi.
DESISTÊNCIA 2
Depois que manifestou seu interesse em disputar uma das cadeiras do Senado pelo Rio Grande do Norte e não conseguiu o apoio esperado junto aso Partido Liberal (PL), o ex-deputado Flávio Rocha mergulhou numa profundidade que nem o melhor escafandrista conseguiu localizá-lo.
MERGULHO
Foi uma mergulhada estratégica, pois nos bastidores o empresário das Lojas Riachuelo e das Confecções Guararapes continuava fomentando essa possibilidade, com interferência até mesmo de lideranças nacionais.
NOVO
Aqui no estado, apenas o presidente do Novo, Renato Cunha Lima, fazia referências à possível candidatura de Flávio Rocha ao Senado, inclusive anunciando que neste mês de maio o pretenso candidato ao Senado faria uma grande movimentação. Deu em nada.
FRASE
Com uma só frase, registrada pelo jornalista Cassiano Arruda Câmara, o filiado ao Novo, Flávio Rocha definiu sepultar sua candidatura ao Senado Federal: “Não preciso de mandato popular para servir ao nosso Rio Grande do Norte”. Papo encerrado.
ACELERANDO
Quem tem colocado o pé no acelerador em visitas aos vários municípios potiguares é o vice-governador Walter Alves (MDB) que tem buscado ampliar a rede de apoios à sua candidatura a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Waltinho será o chamado “puxador de votos” na nominata do MDB.
DEFINIÇÕES
Faltando 150 dias para as eleições que vão eleger deputados estaduais e federais, senadores, governador e presidente da República, aqui no RN duas chapas ainda faltam se complementadas.
As chapas do PT e do União Brasil.
CHAPAS
A chapa liderada pelo candidato a governador Cadú Xavier (PT) falta definir apenas o seu candidato a vice-governador, enquanto que a outra chapa liderada por Alysson Bezerra (União Brasil) está faltando definir o seu segundo candidato ao Senado Federal.

