Por Fernanda Sabino
A jornalista e influenciadora digital Juliana Celli elevou o tom contra o que classifica como uso indevido da religião para fins eleitorais ao rebater declarações da deputada federal Carla Dickson.
Celli vem sendo cotada para compor a nominata feminina do PSDB, para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e, em entrevista ao Diário do RN, criticou a afirmação de que “não há cristão de esquerda”. Disse ainda que o fenômeno revela um cenário de “charlatanismo” dentro das igrejas, com impacto no afastamento de fiéis.
Ao abordar o avanço da politização religiosa, ela apontou a atuação de lideranças dentro das igrejas. “Uma das coisas muito graves que a gente está vivendo hoje é esse neopentecostalismo político. É um movimento de pastores e lideranças que ficam fazendo terrorismo cristão na cabeça das pessoas”, afirmou, ao criticar o uso da fé como ferramenta de convencimento político.
Em seguida, reforçou o que vê como imposição ideológica. “Se você é cristão, você tem que ser de direita. Isso é um charlatanismo, usar a fé para benefício próprio, para conseguir voto enganando as pessoas”, disse.
A fala de Carla Dickson, que repercutiu nas redes sociais, recentemente, foi classificada por Celli como equivocada e excludente. Ao comentar a declaração, ela fez uma ressalva, mas manteve o tom crítico. “Eu tenho respeito pela deputada, mas ela errou feio ao colocar uma classe inteira como se só pudesse ter uma posição política. Isso não existe na Bíblia”, afirmou. Evangélica de origem, reforçou o argumento religioso. “Não existe nada na Bíblia que diga que você tem que ser de direita ou de esquerda para entrar no reino dos céus”, acrescentou.
Ao ampliar a análise, Celli afirmou que diferentes espectros políticos possuem pautas que podem dialogar com valores cristãos. “Existem pautas da esquerda que são alinhadas com a Bíblia e outras que não são, assim como na direita também. Não existe esse discurso pronto. Isso é uma fake news que vem sendo repetida”, disse, ao criticar a simplificação do debate.
Para a jornalista, o principal efeito dessa politização é o afastamento de fiéis. “Há um afastamento de muitos cristãos por causa de falas como essa. Isso não é evangelização”, afirmou, ao apontar impactos dentro das igrejas. Na mesma linha, criticou a imposição de rótulos ideológicos. “Esse tipo de discurso faz acepção de pessoas, e isso não é cristianismo”, completou.
Ao defender a liberdade individual como princípio da fé, Celli ressaltou a pluralidade de posicionamentos. “O cristão pode ser de direita, de esquerda ou de centro e mesmo assim amar Jesus Cristo. Não precisa estar alinhado com nenhum lado político”, declarou.
Em outro momento da entrevista ao Diário do RN, ela foi mais direta ao tratar do uso do púlpito como instrumento eleitoral. “Quem usa o púlpito para conseguir voto, como palanque político, é charlatão”, disparou, ao endurecer a crítica. A mercantilização da fé é algo inadmissível. Isso virou um câncer no nosso país”, afirmou.
Ao final, Celli disse perceber uma reação dentro das próprias igrejas. “As pessoas estão abrindo os olhos. Já há um incômodo. Esse tipo de discurso não se sustenta mais”, afirmou. Para ela, é preciso separar religião de estratégia eleitoral. “O evangelho é para todos, não para um grupo político. Quando se mistura isso, quem perde é a fé e a própria igreja”, concluiu.

