Por Carol Ribeiro
A possibilidade de uma eleição indireta para o Governo do Rio Grande do Norte, caso a governadora Fátima Bezerra (PT) renuncie ao cargo para disputar o Senado em 2026, ainda é tratada com cautela por parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa. Para o deputado estadual da direita, Tomba Farias (PL), o cenário mais provável é que a governadora permaneça no cargo até o fim do mandato. “Ela fica no governo até o fim. Porque ela não tem os votos. Ela só renunciará se tiver a certeza de que tem os votos”, afirmou o parlamentar em entrevista ao Diário do RN.
Pelas regras, caso a renúncia ocorra no último ano de mandato, a escolha do novo governador é feita de forma indireta pela Assembleia Legislativa, que reúne 24 deputados estaduais. Para vencer, o candidato precisa de maioria simples, ou seja, pelo menos 13 votos. Segundo Tomba, a direita ainda não discute nomes para uma eventual disputa justamente porque não acredita que a governadora vá abrir mão do cargo sem a garantia de eleger um sucessor.
“Deixa eu fazer uma pergunta: Fátima vai renunciar? Fátima sai do governo? Se ela não tiver votação, ela sai? Então, se ela não sai, não tem eleição. Como é que nós vamos botar os carros na frente dos bois? Nem Rogério Marinho conversou nada com a gente ainda sobre isso. A gente não tem nem certeza que tem que começar a trabalhar nisso. Quem está trabalhando muito é a esquerda, mas a esquerda está trabalhando para ver se tem os votos”, afirmou.
O deputado avalia que, hoje, nenhum dos grupos políticos possui os 13 votos necessários para garantir a eleição de um candidato. Para ele, esse equilíbrio de forças explica por que o debate ainda não avançou de forma concreta entre os parlamentares. “O problema é que nós (a direita) temos hoje dez votos. Precisa de 13. Quem é que tem 13 votos? Ninguém. Se tem alguém que tem votos, somos nós da direita. A esquerda não tem 13. O centro não tem 13”, disse.
A lógica do deputado vem sendo considerada nos bastidores por diferentes grupos políticos. Se Fátima não conseguir a maioria, não haverá eleição indireta, porque ela não renunciará.
Nesse cenário de forças equilibradas, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), é apontado por diferentes grupos como o principal articulador e possível fiel da balança na definição de um nome capaz de reunir maioria. Recentemente, chegou a circular nos bastidores a hipótese de um nome considerado conciliador: o do secretário estadual de Agricultura, Guilherme Saldanha (PSD), que possui trânsito em diferentes grupos políticos.
No entanto, fontes próximas à presidência da Assembleia negam que essa possibilidade esteja sendo discutida neste momento. Segundo essas fontes, o nome de Saldanha não foi tratado por Ezequiel nem com o próprio secretário nem com o governo estadual, o que indica que, ao menos por enquanto, ele não integra as negociações.
Nomes ligados ao PT afirmam que o partido vai continuar insistindo em um candidato dos seus quadros. “O PT vai bater o pé. Tem que ser alguém do PT”, afirmou à reportagem um interlocutor próximo ao partido.
O partido da governadora insiste em Cadu Xavier, o candidato que vem sendo trabalhado até agora. Entretanto, entende que o pré-candidato enfrenta mais dificuldades por ser o nome do grupo para a eleição de outubro, enquanto Francisco do PT poderia representar uma alternativa de negociação. O deputado, inclusive, é apontado por parlamentares de centro pela maior capacidade de diálogo por já integrar a própria Assembleia.
Francisco admitiu, em conversa com o Diário do RN, que a prioridade pessoal é disputar a reeleição para deputado estadual em 2026, mas não descarta participar de um eventual projeto partidário caso seja necessário: “O projeto que eu venho trabalhando é o da reeleição à deputada estadual. Eu tenho dito isso em todo lugar. Mas eu tenho 35 anos de filiação ao PT, todos os mandatos que exerci foram pelo partido, então tenho compromisso partidário e coletivo”, disse.
Nos bastidores da Casa, o cenário é de forte resistência a um nome diretamente ligado ao PT.
Mesmo assim, o partido ainda aposta na construção de um acordo político mais amplo e não trabalha, neste momento, com outras alternativas fora da legenda. Cadu continua sendo prioridade do projeto, mas o grupo dá a entender que tem uma carta na manga: “Ainda vamos usar acordo. Então não se discute isso agora”, garante o interlocutor do PT.

