A CPI do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (11) a convocação de dois servidores de carreira do Banco Central do Brasil afastados dos cargos por suspeita de receber vantagens indevidas em troca de serviços ao Banco Master. Também foi autorizada a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de investigados ligados ao caso.
Entre os convocados estão Paulo Sérgio Neves de Sousa, que foi diretor de fiscalização do Banco Central entre 2019 e 2023, e Bellini Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária entre 2019 e 2024. Ambos são investigados na Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, e estão afastados das funções, usando tornozeleira eletrônica.
Os requerimentos de convocação foram apresentados pelo relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Vieira também solicitou ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, informações detalhadas sobre a atuação dos servidores no caso envolvendo o Banco Master.
Já Humberto Costa apresentou requerimento para que o presidente do Banco Central, Gabriel Muricca Galípolo, encaminhe informações sobre os processos administrativos disciplinares que levaram ao afastamento dos dois funcionários.
Segundo o senador, as investigações apontam que o Banco Master teria sido utilizado para lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com possível cooptação de agentes públicos responsáveis pela fiscalização.
A CPI também aprovou a convocação de outras pessoas ligadas ao caso, entre elas o fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman, que denunciou supostas irregularidades envolvendo o banco; o administrador da Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal Ltda, Leonardo Augusto Furtado Palhares; a sócia da Super Empreendimentos e Participações S.A., Ana Claudia Queiroz de Paiva; e o escrivão aposentado da Polícia Federal Marilson Roseno da Silva.
Quebra de sigilos
Os senadores também aprovaram a quebra de sigilos de Fabiano Campos Zettel, empresário e cunhado de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Zettel, que já foi pastor da Igreja Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, é apontado como operador financeiro responsável por realizar pagamentos sob orientação de Vorcaro. Os dois foram presos na semana passada.
A CPI também solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informações relacionadas às movimentações financeiras de Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos; Mohamad Hussein Mourad; Roberto Augusto Leme da Silva; e Danilo Berndt Trento, que foi indiciado pela CPI da Pandemia em 2021 e já foi convocado pela CPMI do INSS.
Pedido de informações ao STF
Outro requerimento aprovado pede ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, o compartilhamento de informações relacionadas ao caso, incluindo documentos enviados pela Polícia Federal sobre a morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
De acordo com o relator Alessandro Vieira, Mourão teria desempenhado papel central na coordenação de uma milícia privada chamada “A Turma”, responsável por vigilância, coleta de informações e monitoramento de adversários ligados ao grupo econômico do Banco Master.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), também solicitou a quebra de sigilos de Sicário no período entre 2020 e 2026.
Durante a reunião, Alessandro Vieira retirou um requerimento de sua autoria que previa a convocação do ex-governador de Mato Grosso e ex-senador José Pedro Gonçalves Taques.

