O protesto bolsonarista marcado para este domingo (1) na avenida Paulista chega à véspera com uma pauta difusa, após atrito público entre um dos organizadores do ato, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), e correligionários.
Nikolas anunciou a manifestação “Acorda, Brasil” no dia 12 de fevereiro, sob o mote “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. Uma ala bolsonarista reagiu nas redes sociais, por avaliar que não é estratégico priorizar agora o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Para esse grupo, o foco deve ser a anistia aos manifestantes do 8 de Janeiro e a liberdade para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na sexta-feira (27), questionado se o “Fora, Toffoli” é pauta da manifestação, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, respondeu: “A pauta foi colocada pelo Nikolas, está pública. É ‘Fora, Lula’, ‘Fora ministros do Supremo’. Contra a corrupção generalizada, a crise moral que vive o país. Cada um vai dar o seu tom”.
Indagado se é favorável ao impeachment do ministro, o senador respondeu que é a favor do afastamento de qualquer um que tenha cometido crimes. “Eu assino o impeachment de todo mundo, assino CPI de tudo. Sou a favor [do impeachment] de todo ministro que tenha cometido crime. Mas as coisas não andam”, disse.
O protesto começará às 14h e terá um trio elétrico, estacionado na esquina da avenida com a rua Peixoto Gomide. Segundo o deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos), um dos organizadores, o custo da manifestação será de aproximadamente R$ 130 mil, arrecadados por meio de uma “vaquinha”.
Participantes consultados pela reportagem afirmaram que cada um terá a autonomia para defender o que desejar no protesto. Abduch diz que essa liberdade está garantida, contanto que respeitadas as instituições.
“Eu não coordeno essa manifestação, estou participando, mas acho que cada um fala o que quer. Ninguém vai dizer para Nikolas o que vai falar ou não, nem para mim, isso aí é bobagem.”
Participantes também relataram ter consultado advogados eleitorais para esclarecer o que pode configurar propaganda eleitoral antecipada e se prevenir, já que Flávio Bolsonaro estará presente. Também está prevista a participação dos presidenciáveis e governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não participará porque terá viajado à Alemanha para um compromisso público.
O atrito entre Nikolas e seus correligionários escalou quando o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou em entrevista ao SBT News que considera insuficiente o apoio do deputado e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à pré-campanha de Flávio. Ao longo do fim de semana passado, aliados e apoiadores de Eduardo e de Nikolas trocaram farpas nas redes.
O incômodo é antigo. São frequentes as reclamações sobre uma suposta tentativa de Nikolas de se descolar de Bolsonaro e privilegiar o próprio engajamento e crescimento político —o que aliados do deputado resumem como “dor de cotovelo” e disputa por protagonismo.
Políticos do centrão avaliam que as brigas públicas de lideranças do PL dificultam a costura de alianças em torno de Flávio e arranham a imagem de moderação que ele tenta projetar. Na quarta-feira (25), em reunião com integrantes do PL, o senador pediu união da direita e sentou-se ao lado de Nikolas.
Na última semana, um deputado do PL disse à reportagem que não sabia se subiria no trio elétrico durante a manifestação de domingo, por considerar que o clima estava ruim. Outro político de direita disse que precisava entender qual seria, de fato, a pauta da manifestação para avaliar se compareceria.
Segundo texto enviado por Abduch, a manifestação terá seis pautas: “liberdade aos presos políticos”, “harmonia entre os poderes”, “combate à corrupção”, “contra o aumento de impostos”, “contra os prejuízos das estatais” e “contra o aumento da criminalidade”.
A reportagem questionou o deputado por que não havia menção específica ao afastamento de Toffoli, como proposto por Nikolas. Ele respondeu que a pauta está contemplada no eixo do “combate à corrupção”.
*Com informações de Folha de São Paulo

