O Cartel Jalisco Nova Geração, ou CJNG, é uma das “organizações criminosas mais poderosas e implacáveis” do México, segundo a Avaliação Nacional de Ameaças de Drogas de 2024 da DEA (Agência Antidrogas dos Estados Unidos na sigla em inglês).
A organização era liderada por Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, morto durante uma operação militar no país no domingo (22), era conhecido como um temido narcotraficante mexicano, acusado de orquestrar o contrabando de fentanil para os Estados Unidos.
O CJNG se tornou o cartel mais poderoso do México desde a prisão de Joaquín “El Chapo” Guzmán, rei do Cartel de Sinaloa.
Segundo a DEA, o CJNG surgiu na década de 2010 a partir dos remanescentes do Cartel Milenio, que se fragmentou em meio a um vácuo de poder após a captura de seu líder, Óscar Nava Valencia, em 2009.
O cartel em rápida expansão ampliou sua esfera de influência, conquistando uma presença significativa em todo o México e se tornando um ator fundamental no tráfico global de drogas.
Trata-se de uma organização brutalmente violenta, responsável por tentativas de assassinato contra autoridades do governo mexicano e homicídios contra grupos rivais de narcotráfico e policiais mexicanos, segundo o Departamento de Estado dos EUA.
O cartel demonstrou seu poderio militar em maio de 2015, quando respondeu a uma operação de segurança com bloqueios simultâneos em vários municípios e abateu um helicóptero militar. Três soldados morreram nos confrontos.
No ano seguinte, o grupo foi responsabilizado pelo sequestro audacioso do filho de El Chapo em um restaurante badalado de Puerto Vallarta. Ele foi libertado uma semana depois
Influência do cartel
A (Agência Antidrogas dos Estados Unidos alega que o cartel “opera sob um modelo de negócios de franquia”, que permite que ele se expanda rapidamente e controle extensas áreas das rotas de narcotráfico.
Segundo as autoridades dos EUA, a organização é “fortemente envolvido na produção e no tráfico de metanfetamina e fentanil”, acusando o CJNG de ter ligações com fornecedores de químicos da China.
“Jalisco exerce controle sobre diversos portos marítimos para importar esses produtos químicos e possui uma extensa rede de rotas de contrabando”, diz o site da agência.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, além da China, o grupo tem contatos em mais de 40 países, incluindo as Américas, além da Austrália e do Sudeste Asiático.
O México vinha sofrendo pressão do presidente americano, Donald Trump, para intensificar os esforços no combate ao fluxo de drogas para os Estados Unidos.
Os EUA designaram o CJNG como organização terrorista em fevereiro de 2025, e “El Mencho” já havia sido indiciado diversas vezes nos Estados Unidos, incluindo uma acusação em 2022 por conspiração para fabricar e distribuir metanfetamina, cocaína e fentanil para importação nos Estados Unidos.
A morte do líder do cartel no domingo (22) gerou onda de protestos, com supostos membros de gangues incendiando ônibus e estabelecimentos comerciais, além de entrarem em confronto com as forças de segurança. Mais de 250 bloqueios foram relatados em 20 estados mexicanos, segundo o Gabinete de Segurança do México, e a maioria já foi removida.
Porém, a morte de “EL Mencho” não necessariamente paralisará o bilionário tráfico de drogas do CJNG.
A DEA afirma que a quadrilha está estruturada como uma empresa de franquias e, segundo Eduardo Guerrero, diretor do grupo de consultoria mexicano Lantia Intelligence, ela é composta por cerca de 90 organizações. Segundo a agência, afiliados ao CJNG operam em quase todos os 50 estados americanos.
“Essa fragmentação significa que será necessária uma estratégia mais complexa e sofisticada para enfraquecê-la e desmembrá-la”, disse Guerrero no início deste ano.
As forças armadas e a polícia mexicana, com o apoio da inteligência e equipamentos dos EUA, já tentaram eliminar os chefões antes. Mas outros surgiram para ocupar seus lugares, e toneladas de drogas continuaram a cruzar a fronteira com os EUA.
Agência Antidrogas dos Estados Unidos afirma que o cartel estaria aumentando seu envolvimento em atividades não relacionadas a drogas. Entre elas estão roubo de gasolina, extorsão, tráfico de pessoas e esquemas imobiliários — incluindo fraudes com timeshares — para fins de lavagem de dinheiro.
*Com informações de CNN

