O ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, disse nesta quinta-feira (16), que a sua situação nos Estados Unidos é “regular” e que sua detenção ocorreu por razão “migratória”, desmentindo a hipótese de que teria sido ocasionada por uma infração de trânsito. As informações são da CNN.
“Vim agradecer ao governo norte-americano da mais alta cúpula da administração Trump e também das pessoas que já estavam cientes da nossa questão bem antes e também àquelas pessoas que tiveram que se debruçar por ocasião desta detenção”, afirmou.
O ex-diretor disse não ter nada a “esconder” e afirmou que ao chegar no país norte-americano no final do ano passado tinha passaporte válido, visto válido e ainda não havia sido condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no inquérito do golpe.
“Em seguida nós entramos com o pedido de asilo, que eu e a Rebeca [esposa] estudamos detalhadamente, nós cumprimos os requisitos, estamos dentro de todos os procedimentos, de todas as respectivas fases, o que nos confere o status de permanência regular nos Estados Unidos”, afirmou.
“Ou seja, eu não apenas estou absolutamente com situação regular, como não estou me escondendo aqui nos EUA”, acrescentou.
Ramagem contradisse a declaração do diretor-geral da PF (Polícia Federal) do Brasil, Andrei Rodrigues, negando a existência de uma “cooperação internacional” para sua prisão, alegando que a sua liberação ocorreu de forma “administrativa”, dispensando, inclusive, a necessidade de fiança.
“Minha liberação acabou sendo administrativa, sem necessidade de qualquer pleito, qualquer procedimento judicial, não houve nem pagamento de fiança que é comum nesses casos migratórios”.
“Quem está demonstrando que pode estar sorrateiro aqui não sou eu, o adido da Polícia Federal que venha falar comigo de frente que eu não tenho nada a esconder, muito pelo contrário”, concluiu.
Ramagem foi preso na última segunda-feira (13), pelo ICE (sigla em inglês para United States Immigration and Customs Enforcement), o Serviço de Imigração e Controle de Aduana dos Estados Unidos e três dias depois foi liberado.
O ex-diretor da Abin foi condenado pela Suprema Corte em setembro do ano passado a 16 anos e um mês de prisão por plano de golpe, no mesmo julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ele foi acusado dos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado.
A Corte tinha determinado que ele não poderia deixar o país e deveria entregar o passaporte, o que não foi cumprido. Ele era considerado foragido da Justiça brasileira desde o ano passado.

