Durante o programa 12 em Ponto, o jornalista Túlio Lemos criticou a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em sua análise, ele afirmou que a medida, defendida pelo senador Flávio Bolsonaro, pode trazer consequências negativas para o combate ao crime organizado e para a cooperação entre Brasil e órgãos de segurança norte-americanos.
Túlio iniciou o comentário com críticas à atuação do parlamentar.
“É lamentável que um candidato a presidente da República seja tão entreguista, tão patriota fake como o Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Segundo o jornalista, a proposta ignora avaliações técnicas de profissionais que atuam diretamente no enfrentamento às facções criminosas. Ele citou o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, reconhecido pelo trabalho de combate ao PCC, para sustentar sua argumentação.
“Não sou eu que estou dizendo. Quem está dizendo é quem trata disso, é quem trabalha nesse caso”, declarou.
Cooperação internacional sob risco
De acordo com Túlio, a principal preocupação apresentada por especialistas é que a nova classificação possa afetar a troca de informações entre autoridades brasileiras e agências dos Estados Unidos.
“O promotor Lincoln Gakiya fala que toda semana tem contato com a DEA e também com o FBI, trocando informações sobre drogas e sobre as organizações criminosas”, disse.
Na avaliação do jornalista, a mudança de enquadramento das facções poderia alterar a estrutura responsável pelo acompanhamento desses grupos.
“Sabe o que acontece a partir de agora? Isso se acaba. Dito por ele. Porque, a partir do momento em que as organizações criminosas deixam de ser narcotraficantes e passam a ser terroristas, saem do controle da DEA e do FBI”, afirmou.
Facções não se enquadram como terrorismo
Outro ponto abordado durante o programa foi a definição jurídica e conceitual de terrorismo. Para Túlio, PCC e Comando Vermelho não se encaixam nessa classificação.
“Essas organizações não são terroristas”, declarou.
Ele argumentou que o terrorismo está tradicionalmente associado a motivações ideológicas, políticas ou religiosas, o que, segundo ele, não corresponde à atuação das facções criminosas brasileiras.
“São organizações criminosas que visam dinheiro, manutenção do tráfico de drogas, do tráfico de armas, do crime. Não têm nada a ver com terrorismo”, afirmou.
Soberania brasileira
O jornalista também levantou preocupações sobre possíveis impactos da medida para a soberania nacional.
“Isso permite que o Brasil ceda seu território sem precisar cedê-lo oficialmente”, disse.
Na sequência, Túlio defendeu o trabalho realizado pelas instituições brasileiras de segurança pública e criticou a busca por apoio externo para enfrentar o problema.
“Quando ele vai para lá pedir para que os Estados Unidos venham atuar aqui, ele não só joga a soberania brasileira no lixo, ele desrespeita instituições como o Exército, a Polícia Federal e as polícias dos estados”, afirmou.
Críticas ao discurso político
Ao encerrar sua análise, Túlio Lemos classificou a iniciativa como uma estratégia política e afirmou que o Brasil já possui instrumentos para combater as organizações criminosas.
“Ontem mesmo nós falamos aqui: o Brasil já combate fortemente as organizações criminosas”, disse.
Para o jornalista, o enfrentamento às facções deve continuar sendo conduzido pelas instituições brasileiras, com fortalecimento das ações de inteligência e investigação já realizadas no país.

![[VÍDEO] Tulio Lemos analisa classificação de facções como grupos terroristas pelos EUA](https://diariodorn.com.br/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-30-at-14.43.02-1024x753.jpeg)