Uma mulher foi filmada fazendo uma saudação nazista diante de outras pessoas, em um episódio que provocou indignação e questionamentos sobre a atuação de um policial militar que estava no local. Segundo o UOL, a mulher, que usava uma camiseta com a inscrição “Meu partido é o Brasil” e um boné associado ao movimento político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já teria sido identificada pela polícia, embora seu nome não tenha sido divulgado.
O caso ganhou repercussão especialmente pela reação do sargento Freitas, policial militar que aparece nas imagens. Questionado sobre a ausência de intervenção diante do gesto que reproduzia a saudação utilizada pelos nazistas, o agente afirmou não ter presenciado nenhuma irregularidade e orientou que o vídeo fosse encaminhado à Polícia Civil.
“Tem crime? É apologia [ao nazismo] fazer isso aqui?”, questionou Freitas ao ser confrontado sobre a atitude da mulher. Em seguida, acrescentou: “Não considero nada. Não presenciei nada. Eu não vi. Você vai pegar o seu vídeo e levar para a delegacia. É o trabalho do policial civil, não o meu.”
A declaração provocou questionamentos sobre a conduta do policial diante de uma manifestação associada ao nazismo, ideologia responsável pelo genocídio de milhões de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial.
Testemunha judia cobra punição e questiona policial
Ian Obraczka, que testemunhou o episódio, relatou ao UOL ter se identificado como judeu diante da mulher que realizou a saudação nazista. Ele manifestou indignação com o ocorrido e defendeu a responsabilização da autora do gesto.
“Nunca tinha passado por isso. É muito triste e revoltante! Espero que ela seja identificada e punida”, declarou.
Obraczka também criticou a postura do policial militar, questionando por que não houve uma reação diante de uma manifestação que considera criminosa.
“Se tivesse visto alguém roubando ou dando um soco na cara de alguém, ele provavelmente teria agido. Então, por que, num crime com uma saudação nazista, ele não reagiu?”, afirmou.
O testemunho evidencia a preocupação com a resposta das autoridades a manifestações de intolerância e símbolos associados ao regime de Adolf Hitler.
Mulher usava boné ligado ao movimento de Trump
As imagens mostram que a mulher vestia uma camiseta com a frase “Meu partido é o Brasil” e um boné com referência ao movimento MAGA, sigla de Make America Great Again, expressão traduzida como “Tornar a América Grande Novamente”.
O slogan é uma das principais marcas políticas de Donald Trump e de seus apoiadores nos Estados Unidos.
Apesar da informação de que a mulher teria sido identificada pelas autoridades, a polícia não divulgou sua identidade. As informações disponibilizadas também não esclarecem se houve registro formal de ocorrência, abertura de investigação ou adoção de medidas contra ela.
O que diz a legislação brasileira sobre o nazismo
A legislação brasileira prevê punições para manifestações de discriminação e propaganda nazista. A Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, estabelece, em seu artigo 20, penalidades para quem praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito.
*Com informações de Brasil 247
