As vendas em bares e restaurantes do Rio Grande do Norte cresceram 8,2% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar do avanço, apenas 31% dos estabelecimentos potiguares conseguiram registrar lucro no mês, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O cenário revela que o aumento das vendas ainda não tem sido suficiente para garantir a recuperação financeira de parte dos negócios.
O crescimento foi identificado pelo Índice Abrasel-Stone, que registrou alta de 10,8% nas vendas do setor em todo o Brasil no mesmo período. No Nordeste, o desempenho foi ainda mais expressivo, com avanço de 12,7%, colocando o resultado potiguar abaixo das médias regional e nacional.
Já a Pesquisa Mensal Abrasel – Situação Econômica do Setor de Alimentação Fora do Lar, referente a outubro de 2026, aponta que a maioria dos estabelecimentos do estado ainda enfrenta dificuldades para equilibrar as contas. O levantamento, realizado entre os dias 13 e 20 de outubro, mostra que 42% dos empresários operaram em equilíbrio financeiro em setembro, enquanto 26% registraram prejuízo.
O percentual de estabelecimentos lucrativos no Rio Grande do Norte ficou cinco pontos percentuais abaixo da média nacional, de 36%.
Para o presidente da Abrasel no Rio Grande do Norte, Thiago Haddad, os números demonstram que o crescimento das vendas não significa, necessariamente, melhoria nos resultados financeiros.
“Os números mostram que o consumidor continua frequentando bares e restaurantes, o que é positivo para o setor. Mas precisamos observar que vender mais não significa necessariamente lucrar mais. Os empresários ainda enfrentam custos elevados com insumos, mão de obra e tributos, o que compromete as margens de lucro. Nosso desafio é transformar esse crescimento do faturamento em resultados mais consistentes, garantindo a sustentabilidade dos negócios e a manutenção dos empregos”, destacou.
Quatro em cada dez estabelecimentos registraram queda no faturamento
Apesar do crescimento registrado na comparação anual, os resultados da pesquisa mensal mostram diferenças no desempenho dos estabelecimentos potiguares.
Na comparação entre setembro e agosto, 33% dos bares e restaurantes do estado registraram aumento no faturamento, percentual superior à média brasileira, de 28%. Por outro lado, 40% relataram queda nas vendas e 24% mantiveram estabilidade.
Os dados indicam que a recuperação do setor ocorre de maneira desigual, com parte dos empresários conseguindo ampliar as receitas enquanto outros continuam enfrentando dificuldades para manter o movimento e cobrir as despesas.
Outro desafio está relacionado à capacidade de reajustar os preços cobrados dos consumidores. Segundo a pesquisa, 49% dos empresários potiguares não aumentaram os valores dos cardápios nos últimos 12 meses, enquanto 43% aplicaram reajustes iguais ou inferiores à inflação.
Apenas 8% dos estabelecimentos conseguiram elevar os preços acima da inflação no período, o que evidencia as limitações enfrentadas pelos empresários para repassar os custos operacionais aos clientes.
Endividamento atinge 39% dos negócios
O endividamento também aparece entre os principais obstáculos enfrentados pelo setor de alimentação fora do lar no Rio Grande do Norte.
De acordo com o levantamento, 39% dos estabelecimentos possuem pagamentos em atraso. Entre os empresários que relataram pendências financeiras, os impostos federais aparecem como a principal dificuldade, mencionados por 68% dos entrevistados nessa condição.
As dívidas com tributos estaduais foram apontadas por 48%, seguidas dos encargos trabalhistas, com 45%, e dos compromissos bancários, citados por 39%.
Os resultados reforçam a pressão exercida pelos custos e pelas obrigações financeiras sobre os estabelecimentos, mesmo diante do aumento das vendas observado no estado.
Festas de fim de ano aumentam otimismo dos empresários
Apesar das dificuldades financeiras, a chegada das festas de fim de ano tem elevado as expectativas dos empresários potiguares. Segundo a Pesquisa Mensal Abrasel, 84% dos entrevistados consideram que as comemorações de novembro e dezembro contribuem para aumentar o faturamento dos estabelecimentos.
Entre os participantes, 49% esperam faturar até 10% a mais em comparação com o fim de 2025. Além disso, 43% pretendem contratar funcionários para atender ao aumento esperado na demanda durante o período.
O otimismo ocorre em um cenário de crescimento das vendas no país. Segundo o Índice Abrasel-Stone, o setor brasileiro de bares e restaurantes registrou alta de 9,9% no terceiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Os indicadores apontam perspectivas favoráveis para os últimos meses do ano, mas também mostram que a sustentabilidade financeira dos negócios continua sendo um desafio. Para os empresários, a expectativa é de que o aumento do movimento durante as festas se traduza em maior lucratividade e melhores condições para a manutenção dos estabelecimentos e dos empregos.
O Índice Abrasel-Stone é desenvolvido pela Stone em parceria com a Abrasel e acompanha mensalmente o desempenho das vendas do setor de alimentação fora do lar, com base em transações financeiras realizadas em 24 estados brasileiros. Já a Pesquisa Mensal Abrasel analisa indicadores como faturamento, lucratividade, reajustes de preços, endividamento e expectativas dos empresários.

