O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu prazo de dez dias para que o Ministério da Justiça envie informações sobre a extradição do espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso no Brasil desde 2022.
“Considerando o decurso de extenso prazo desde o trânsito em julgado da demanda bem como pleito defensivo de informações o andamento da entrega do extraditando, oficie-se o Ministério da Justiça para que no prazo de 10 dias preste informações acerca do andamento da entrega ao governo da Rússia”, diz a decisão da última quinta-feira (20).
Integrantes do MJ explicam que o caso está em análise e cabe ao Executivo federal decidir sobre a eventual extradição do preso, que cumpre pena na Penitenciária Federal em Brasília, de segurança máxima.
Neste momento, o Poder Executivo aguarda o deslinde do segundo inquérito contra Sergey para decidir o “momento certo” da entrega, que fará quando entender conveniente. A reportagem apurou que o espião pode virar uma moeda de troca na questão diplomática internacional, pois ele também é alvo de disputa envolvendo os Estados Unidos.
No mês passado, o governo brasileiro decidiu pela expulsão dele do Brasil e estabeleceu uma proibição de retorno por 30 anos, mas sem fixar data para sua saída.
Sergey foi preso pela Polícia Federal em 2022 com o uso de documento falso, com o nome brasileiro de Victor Muller. Ele se apresentava como brasileiro e frequentava aulas de forró.
Ele foi detido ao tentar desembarcar em Amsterdã, na Holanda, com passaporte brasileiro adulterado para assumir um estágio no TPI (Tribunal Penal Internacional). Isso aconteceu justamente quando o TPI começava a investigar crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia.
Desde a prisão, dois países passaram a disputá-lo: Rússia e Estados Unidos. A Rússia foi a primeira a pedir a extradição dizendo que ele é procurado por tráfico internacional.
O país enviou documentos ao Brasil que foram analisados pela PF, mas os investigadores não conseguiram atestar a veracidade e avaliaram que seria uma estratégia para “buscar” o espião de volta.
Os Estados Unidos também entraram na briga pela extradição a partir de informações da CIA, a Agência Central de Inteligência dos EUA, de que o espião russo também entrou no país com nome falso e teria espionado o país durante uma passagem em solo norte-americano para estudar em uma universidade.
O espião cumpre pena até 2027 em presídio federal. Ele é o último que ainda está no Brasil de uma rede mapeada pela PF no país.
*Com informações de CNN

