O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia oficial da inflação, desacelerou para 0,32% em outubro, após registrar 0,70% em setembro, informou nesta quinta-feira (22) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da redução no ritmo de alta dos preços, o índice acumula 4,15% no ano e 4,62% nos últimos 12 meses.
O principal impacto do mês veio do grupo Alimentação e Bebidas, que avançou 0,88% e respondeu por 0,19 ponto percentual do índice geral. A alimentação consumida em casa acelerou de 0,38% em setembro para 1,01% em outubro, impulsionada principalmente pelos aumentos do tomate (24,54%), da cebola (13,63%), da batata-inglesa (10,96%) e do arroz (5,80%).
Em contrapartida, alguns produtos registraram queda de preços, como a cenoura (-10,67%), as frutas (-1,37%) e o café moído (-1,16%).
A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara. Os preços subiram 0,56%, acima dos 0,44% registrados em setembro, influenciados pelos reajustes das refeições (0,61%) e dos lanches (0,66%).
Enquanto os alimentos pressionaram a inflação, o grupo Habitação ajudou a conter o índice ao registrar queda de 0,10%, após alta de 2,07% no mês anterior. O principal fator foi a redução de 0,89% na energia elétrica residencial, resultado da mudança da bandeira tarifária amarela para a verde, que eliminou a cobrança adicional nas contas de luz.
Outro grupo que contribuiu para o resultado foi Transportes, que teve variação de apenas 0,05%. Apesar do aumento dos combustíveis — com altas de 3,70% no óleo diesel, 2,73% no etanol e 0,92% na gasolina —, a queda de 9,24% nas passagens aéreas compensou parte da pressão sobre o índice.
Em Despesas Pessoais, a alta foi de 0,55%, puxada pelos aumentos nos preços de cinema, teatro e concertos (4,30%), pacotes turísticos (2,18%) e serviços de empregado doméstico (0,62%).
Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, oito registraram alta em outubro. Apenas o grupo Habitação apresentou recuo.
Índice sobe em dez das onze regiões pesquisadas
Entre as áreas pesquisadas pelo IBGE, dez registraram inflação em outubro. A maior variação ocorreu em Belém (0,76%), influenciada principalmente pelo aumento do tomate e da energia elétrica residencial.
Já Curitiba apresentou o único resultado negativo entre as regiões pesquisadas, com deflação de 0,27%, reflexo da redução das passagens aéreas e da tarifa de água e esgoto.
O IPCA-15 é calculado com base nos preços coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro e serve como uma prévia da inflação oficial do país. O indicador considera famílias com renda entre um e 40 salários mínimos nas principais regiões metropolitanas brasileiras, além de Brasília e Goiânia.

