Seguindo tradição das grandes marcas italianas, a Ferrari foi “pedir bênção” para seu mais recente produto, a Luce. Os executivos da marca apresentaram o modelo 100% elétrico ao papa Leão XIV, em Castel Gandolfo, o que chamou atenção não apenas pelo simbolismo, mas também pelo contexto delicado envolvendo o lançamento.
A delegação foi liderada pelo presidente John Elkann e pelo CEO Benedetto Vigna, acompanhados de engenheiros e executivos da fabricante italiana. Durante o encontro, Elkann presenteou ao papa o volante da Ferrari Luce como homenagem oficial da empresa. O executivo definiu a reunião como um momento “de grande valor humano e simbólico” para a companhia.
A visita ocorre logo após a apresentação global da Ferrari Luce, modelo que abriu uma nova fase na estratégia da fabricante ao entrar no segmento de veículos elétricos de alto desempenho. Apesar da importância tecnológica do projeto, a recepção inicial do mercado e de parte dos fãs da marca foi marcada por críticas ao design e ao conceito do carro.
As ações da Ferrari chegaram a cair mais de 8% na bolsa de Milão após a revelação do modelo. Analistas apontaram preocupação de investidores com a expansão da marca para veículos elétricos e com a possível descaracterização da identidade tradicional da Ferrari, historicamente associada aos motores V8 e V12 aspirados e ao som característico dos propulsores a combustão.
Nas redes sociais, a Ferrari Luce também virou alvo de comentários negativos. O formato de quatro portas e cinco lugares dividiu opiniões entre entusiastas, especialmente por representar uma proposta distante dos esportivos tradicionais da fabricante italiana. Até figuras políticas italianas comentaram o assunto, questionando se o novo modelo preserva o DNA da marca criada por Enzo Ferrari.
Durante a visita ao Vaticano, integrantes da Ferrari explicaram detalhes do projeto ao papa. Em um dos trechos divulgados do encontro, engenheiros apresentaram o sistema “e-Manettino”, seletor eletrônico inspirado nos comandos utilizados nos carros de Fórmula 1 da equipe italiana. O sistema altera parâmetros de potência, regeneração de energia e eficiência aerodinâmica conforme o modo de condução escolhido.
A Ferrari Luce utiliza uma plataforma inédita, desenvolvida exclusivamente para veículos elétricos. O modelo conta com quatro motores elétricos independentes — um em cada roda — e potência máxima combinada de 1.050 cv. Segundo os dados divulgados pela fabricante, o carro acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e pode superar os 310 km/h de velocidade máxima.
O conjunto mecânico opera com arquitetura elétrica de 800 volts e utiliza bateria de 122 kWh produzida em Maranello. A autonomia estimada supera 530 quilômetros no ciclo WLTP, enquanto o sistema de recarga rápida suporta até 350 kW.
Além do desempenho, a Ferrari aposta em soluções inéditas para diferenciar a Ferrari Luce de outros elétricos de luxo. O modelo traz suspensão ativa derivada do hipercarro F80, esterçamento traseiro independente e gerenciamento eletrônico individual para cada roda. Segundo a empresa, o objetivo foi preservar características dinâmicas associadas aos esportivos da marca mesmo sem o uso de motores a combustão.
A cabine também marca uma ruptura com modelos anteriores. O interior utiliza telas OLED desenvolvidas pela Samsung Display, comandos digitais integrados a botões físicos e uma chave com tecnologia “E Ink”, solução inédita no setor automotivo. O projeto de design teve participação do coletivo LoveFrom, liderado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple.

