A quantia que Daniel Vorcaro destinaria à produção do filme Dark Horse, que fala sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é maior do que o valor captado em 21 estados e no Distrito Federal por meio da Lei Rouanet.
Segundo o Metrópoles, após a revelação de tratativas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, bolsonaristas têm lançado mão de críticas à Lei Rouanet para defender o financiamento privado da produção audiovisual.
A quantia negociada – que segundo reportagem do The Intercept Brasil ultrapassa os R$ 134 milhões – é maior que o valor captado por meio da lei Rouanet em cada uma das unidades da federação da região Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além dos estados de Espírito Santo e Santa Catarina, em 2025.
Os dados foram levantados pela coluna junto ao Salic Comparar, plataforma do Ministério da Cultura que reúne informações sobre propostas, projetos e indicadores da Lei Rouanet.
A Lei Rouanet instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Um dos mecanismos dessa lei é o incentivo a projetos culturais, em que pessoas físicas ou jurídicas podem investir parte do imposto de renda em projetos culturais previamente aprovados pelo Ministério da Cultura.
Vale destacar que a lei não permite a captação de recursos para filmes longa-metragens. Nesse seguimento, entretanto, a lei atende produções de curta e média metragem, além da preservação e difusão do acervo audiovisual.
Vorcaro mandou R$ 61 milhões para fundo nos EUA ligado a Eduardo Bolsonaro e Flávio cobrou mais
Segundo o The Intercept, as tratativas entre Flávio e Vorcaro envolviam um repasse de US$ 24 milhões, o que equivalia a R$ 134 milhões na cotação da época. A reportagem aponta ainda que foram efetivamente pagos U$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
“Como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e preocupado com o efeito ao acontrário do que a gente sonhou para o filme”, afirmou em áudio enviado ao dono do Banco Master em 8 de setembro.
A reportagem do Intercept aponta que, após a cobrança, Flávio Bolsonaro e Vorcaro seguiram com o contato. Em 22 de outubro, Flávio diz que estariam “no limite”, em referência ao filme. “Mais uma vez, com toda a liberdade que temos, se não der me fala que procuro urgente outro caminho”, escreveu. Daniel Vorcaro respondeu: “Deixa comigo irmão, vou ver agora”.
Em nota, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que se tratou de “um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.
O senador ressaltou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro “já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”. Segundo ele, o contato foi retomado quando houve atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou ainda.

