O Ministério do Turismo consolidou o modelo de Destinos Turísticos Inteligentes (DTI) Brasil como política pública voltada à modernização da gestão do turismo no país. A iniciativa tem como objetivo orientar estados e municípios na adoção de práticas que integrem tecnologia, governança e sustentabilidade, com foco na melhoria dos serviços turísticos e na organização da atividade nos territórios.
O Brasil foi o primeiro país da América Latina a desenvolver uma metodologia própria de DTI, adaptando referências internacionais à realidade nacional. O modelo brasileiro vai além da implantação de soluções tecnológicas pontuais e propõe uma abordagem abrangente, estruturada em nove eixos: governança, acessibilidade, segurança, inovação, promoção e marketing, mobilidade e transporte, tecnologia, criatividade e sustentabilidade.
De acordo com o Ministério do Turismo, a adoção do modelo permite que os municípios passem a gerir seus atrativos e serviços com base em dados, planejamento e avaliação contínua. A estratégia busca apoiar decisões administrativas mais eficientes e promover o desenvolvimento ordenado do setor.
Segundo a coordenadora-geral de Inovação, Inteligência e Estatísticas do Turismo do ministério, Bárbara Blaudt Rangel, o modelo brasileiro reúne tecnologia, governança e sustentabilidade, oferecendo aos gestores públicos um referencial para decisões baseadas em informações técnicas e indicadores.
Atualmente, a política nacional contabiliza 21 destinos reconhecidos com o título de “DTI em Transformação”, além da formação de uma rede de colaboração que envolve órgãos públicos, iniciativa privada e instituições acadêmicas. O ministério informa que o modelo pode ser adotado por municípios de diferentes portes, com etapas definidas e suporte técnico.
Metodologia
Para se tornar um Destino Turístico Inteligente, o município deve seguir uma metodologia estruturada em nove pilares estratégicos. A proposta é que o turismo seja desenvolvido de forma integrada às políticas urbanas, sociais e ambientais, promovendo inclusão, eficiência na gestão e valorização das características locais.
Na prática, ações relacionadas à tecnologia podem envolver a implantação de sistemas de dados para análise do perfil dos visitantes e apoio à gestão pública. Já o eixo da criatividade estimula a valorização da cultura local e da economia criativa como elementos de diferenciação do destino.
Etapas de implementação
O processo de adesão ao modelo DTI Brasil é dividido em cinco etapas, conforme o Manual Metodológico do Ministério do Turismo. A primeira fase consiste em um diagnóstico da maturidade do destino em relação aos nove pilares. Em seguida, é elaborado um Plano de Transformação, que define ações prioritárias.
Durante a execução desse plano, o município recebe o reconhecimento de “DTI em Transformação”. A etapa final prevê uma auditoria oficial que, se aprovada, concede ao destino o Selo DTI Brasil, atestando a conformidade com os critérios estabelecidos.
Apoio institucional
Além do referencial metodológico, o Ministério do Turismo oferece instrumentos de apoio, como o Catálogo de Soluções Tecnológicas, ações de capacitação para gestores e estímulo à troca de experiências por meio de redes de cooperação nacionais e internacionais.
O avanço da política também inclui a publicação da norma técnica ABNT NBR 17259:2025, que estabelece requisitos para sistemas de gestão de Destinos Turísticos Inteligentes. A norma foi elaborada com apoio técnico e financeiro do Ministério do Turismo e integra o conjunto de iniciativas voltadas à modernização e padronização da gestão turística no Brasil.

