A geração de empregos formais no Nordeste em março foi fortemente impulsionada pelo interior da região, com destaque para o semiárido. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), mostram que o saldo mensal foi de 25.138 vagas, sendo 16.834 delas concentradas no semiárido, o equivalente a 67% do total regional.
No recorte nacional, o Nordeste respondeu por 11% de todas as vagas criadas no Brasil no período. Já no acumulado do primeiro trimestre de 2026, a região registrou 49.630 postos de trabalho, o que representa pouco mais de 8% do saldo do país.
Em comparação com fevereiro, houve crescimento expressivo de quase 75% na geração de empregos na região. A média salarial dos trabalhadores admitidos ficou em R$ 2.029,61, enquanto a dos desligados foi de R$ 2.069,63.
O levantamento também aponta forte participação feminina no mercado de trabalho nordestino em março. As mulheres foram responsáveis por 23.244 vagas, o equivalente a 92% do saldo mensal. Os homens somaram 1.894 postos. Apesar disso, a remuneração média feminina (R$ 1.955,67) ficou abaixo da masculina (R$ 2.075,46).
Segundo o economista e coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, José Farias, o desempenho está relacionado principalmente ao setor de serviços, com destaque para áreas como educação e saúde, que concentram maior participação feminina. Ele também aponta o possível impacto de medidas de estímulo à renda, como a isenção do Imposto de Renda, no aumento do consumo e da demanda por serviços.
Entre os estados, a Bahia liderou a geração de empregos em março, com 14.008 vagas, o equivalente a 55,72% do saldo regional. Em seguida aparecem Ceará (6.629), Piauí (3.308) e Pernambuco (3.287). Também tiveram saldo positivo Maranhão (1.430), Rio Grande do Norte (1.127) e Paraíba (930). Já Alagoas (-5.243) e Sergipe (-338) registraram retração.
Setores
Na análise setorial, o Nordeste teve forte concentração em Serviços e Construção. O setor de Serviços liderou com 29.346 vagas criadas, enquanto a Construção registrou saldo positivo de 8.387 postos, com crescimento em todos os estados.
Dentro dos serviços, o avanço foi puxado por atividades administrativas (8.040 vagas), saúde e serviços sociais (6.346) e educação (4.569). Bahia, Pernambuco e Ceará concentraram a maior parte das contratações.
A Construção também teve desempenho positivo em todos os estados, com destaque para Pernambuco (3.069 vagas) e Bahia (2.722), que juntos responderam por quase 60% do total do setor.
O Comércio registrou saldo positivo de 3.385 postos, liderado por Pernambuco (1.198), seguido por Piauí (740), Paraíba (713), Rio Grande do Norte (584), Alagoas (510), Ceará (387) e Sergipe (47). Maranhão e Bahia apresentaram saldos negativos.
Por outro lado, a Indústria (-7.630) e a Agropecuária (-8.347) puxaram o resultado geral para baixo. Na indústria, apenas Bahia, Ceará e Piauí tiveram desempenho positivo. Já na agropecuária, somente Bahia e Piauí registraram crescimento, enquanto os demais estados tiveram retração no setor.

