Neste sábado (2/5) faz 15 anos que Osama bin Laden foi morto numa operação da Navy SEAL, forças especiais ligadas à Marinha dos EUA, no complexo secreto que o chefe da al-Qaeda usava como refúgio em Abbottabad (Paquistão).
Robert O’Neill foi quem o executou, com três tiros na cabeça. O cadáver de Bin Laden foi jogado ao mar. O seu executor, porém, queria que o ícone terrorista tivesse tido outro fim:
“Eu o teria enforcado em uma ponte em Nova York e deixado que os moradores locais se encarregassem dele”, afirmou o militar da reserva ao “NY Post”.
O’Neill falou, também sobre as suas motivações ao embarcar para a missão ultrassecreta , chamada de Operação Lança de Netuno:
“Estávamos lá pela da mãe solteira que deixou os filhos na escola numa manhã de terça-feira e uma hora depois pulou do World Trade Center, abaixando a saia como seu último ato de decência humana. Ela nunca deveria ter feito isso.”
Detalhes da missão foram passados três semanas antes do Dia D, mas as informações eram vagas, para que o objetivo não vazasse.
“A primeira coisa que disseram foi: ‘Isso não é um exercício, é real.’ Tudo o que nos disseram foi que encontraram algo numa casa em uma depressão no meio de uma cordilheira, e que deveríamos ir buscar esse algo e trazê-lo de volta. O que é isso? Bem, não podemos dizer. De que país? Não podemos dizer. Como vamos chegar lá? Não podemos dizer. Quanto apoio aéreo teremos? Nenhum”, contou O’Neill.
“Disseram-nos que na sexta-feira deveríamos ir para casa ficar com nossos filhos e voltar no domingo para uma reunião. Perguntei: “Quem estará presente na reunião?” Eram o vice-presidente, o secretário de Defesa e o secretário da Marinha. Ficamos tipo: ‘O que é isso?’ A reunião aconteceu numa sala atrás de guardas armados na Base Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais de Cherry Point, na Carolina do Norte. Disseram aos SEALs: “Esta é a nossa maior proximidade com Osama Bin Laden”, acrescentou o executor.
Ele também detalhou os preparativos e os riscos envolvidos:
“Elaboramos o plano perfeito e o ensaiamos dia e noite em maquetes do exterior da casa de Bin Laden. Fomos apresentados a alguns helicópteros Sikorsky UH-60 Black Hawk, que eu acho que nem o presidente Obama conhecia. Os helicópteros nos buscavam, descíamos por cordas e aterrissávamos no telhado. Praticávamos diferentes cenários: e se um carro saísse voando, e se nos separássemos, e se ficássemos presos do lado de fora? Minha experiência no Iraque foi a preparação definitiva. No treinamento, você pode falar sobre isso e esquecer, mas quando alguém é baleado, isso fica gravado em sangue. Um dia, meu chefe perguntou: ‘Qual é a pior coisa que pode dar errado?’ O mais jovem respondeu: ‘O helicóptero pode cair no jardim da frente da casa de Bin Laden’. Olhamos para ele como quem diz: ‘Por que você nos deu azar?’ E, claro, foi exatamente o que aconteceu. No mundo das operações especiais, uma preocupação banal não é apenas um azar, pode ser um plano para lidar com o caos. Essa seria uma missão sem volta. Você não tem medo de morrer, mas está preparado para a morte. Tínhamos os quatro melhores pilotos do mundo, mas eles só tinham pilotado esses helicópteros por ‘talvez uma semana. Um dos caras mais jovens me chamou de lado e disse: “Não me entenda mal, eu definitivamente vou, mas se sabemos que vamos morrer, podemos conversar sobre por que estamos indo?’.”
O’Neill contou, ainda, que sentia que deveria dar uma presente à agente da CIA (agência de inteligência dos EUA) que trabalhou arduamente durante anos para encontrar o esconderijo de Bin Laden.
O homem que matou Osama bin Laden tinha um presente especial para a brilhante analista da CIA que encontrou o mentor dos ataques de 11 de setembro. O’Neill a encontrou na base de Jalalabad, no Afeganistão, após a operação de 2 de maio de 2011.
“Peguei o carregador da minha arma que usei para matar bin Laden, com as 27 balas restantes, me aproximei dela e perguntei se ela tinha espaço para isso na mochila. Ela respondeu: ‘Acho que sim'”, contou ele.
O’Neill descreveu a analista, que foi imortalizada por Jessica Chastain no filme vencedor do Oscar “A Hora Mais Escura”, como uma profissional “sem rodeios”, ansiosa para finalmente fazer justiça ao homem que tinha o sangue de mais de 3.000 americanos nas suas mãos. Ele prometeu a ela que jamais revelaria sua identidade.
O militar da reserva disse que voltaria à ativa se fosse convidado para participar da operação especial que capturou o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
“Na operação contra Maduro, eu tive dois sentimentos intensos: senti extremo orgulho e um pouco de inveja”, afirmou O’Neill.
Na operação secreta de janeiro, forças americanas capturarem Maduro na sua casa em Caracas. Ele está agora detido em prisão federal no Brooklyn, em Nova York, aguardando julgamento por acusações de narcoterrorismo. Com informações de Extra.

