Por Fernanda Sabino
Coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador pelo Rio Grande do Norte, Rogério Marinho, admitiu que o caso “Dark Horse” provocou desgaste político e afetou a trajetória do pré-candidato nas pesquisas de intenção de voto. Em entrevista ao jornal O Globo neste fim de semana, Marinho afirmou que o impacto poderia ter sido menor caso a relação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro tivesse sido tornada pública anteriormente.
Ao comentar a repercussão do episódio, o senador reconheceu que houve falha na condução política do caso.
“O questionamento feito ao Flávio é que uma relação privada veio a público de uma forma criminalizada. Se ele tivesse tido cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande”, afirmou.
A declaração chama atenção por representar um reconhecimento explícito de que a crise teve consequências eleitorais. Até então, aliados do pré-candidato vinham concentrando esforços em contestar as críticas e minimizar os efeitos da polêmica.
Marinho não negou o desgaste. Pelo contrário, admitiu que o episódio atingiu a campanha.
“Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha”, declarou.
Apesar disso, procurou relativizar os efeitos de longo prazo e defendeu que o cenário eleitoral ainda está em aberto.
“Uma campanha não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”, disse, ao argumentar que a disputa presidencial será definida ao longo dos próximos meses.
O senador também voltou a defender a legalidade da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Segundo ele, não houve qualquer favorecimento político ou atuação institucional em benefício do empresário.
“Não se trata de contrapartida, de advocacia administrativa nem de apresentação de projetos que vão beneficiar A ou B”, afirmou.
Na mesma resposta da entrevista, Marinho comparou a repercussão do episódio envolvendo Flávio ao tratamento dado a encontros mantidos por Vorcaro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o senador, houve pesos diferentes na avaliação dos dois casos.
“Ele foi recebido fora da agenda mais de uma vez pelo nosso principal adversário. Não há perplexidade nem indignação”, argumentou.
Questionado sobre a promessa de divulgação da prestação de contas relacionada ao financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, Marinho disse esperar que o assunto seja encerrado após a apresentação dos documentos.
“Esperamos que após a prestação de contas, que será feita, as pessoas possam virar essa página e entender que nós temos um Brasil para discutir”, afirmou.
O senador também afastou qualquer possibilidade de substituição de Flávio na disputa presidencial, mesmo diante das turbulências provocadas pelo caso.
“Flávio é o nosso plano A, B, C e F”, resumiu.
A polêmica sobre o caso Dark Horse
A polêmica veio à tona após reportagens da The Intercept Brasil revelarem diálogos e mensagens que expuseram a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As conversas tratavam do financiamento do projeto “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, estimada em mais de R$ 134 milhões. As reportagens levantaram questionamentos sobre a proximidade entre o pré-candidato e o banqueiro e sobre a transparência da captação de recursos para o filme.
A divulgação do material provocou forte repercussão política e ampliou as cobranças por explicações sobre a relação com Vorcaro e a origem dos recursos destinados ao projeto. Desde então, aliados de Flávio sustentam que se trata de uma relação privada, sem contrapartidas ou favorecimentos políticos, enquanto a campanha tenta conter os efeitos do episódio, que acabou refletindo nas pesquisas de intenção de voto.

