O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, nesta sexta-feira (21), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante a ligação, que durou cerca de 1 hora e 20 minutos, os dois chefes de Estado discutiram temas como as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o combate ao crime organizado, a cooperação bilateral e conflitos internacionais.
Segundo o Palácio do Planalto, a iniciativa do contato partiu de Lula. O presidente brasileiro voltou a defender a posição do Brasil diante da sobretaxa de 25% aplicada pela Casa Branca a produtos nacionais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano não procedem.
De acordo com o governo brasileiro, Lula argumentou que as novas tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu a continuidade das negociações entre os dois países.
“Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países”, informou o Palácio do Planalto, em nota.
Ainda conforme o comunicado, Lula reafirmou o interesse em manter uma relação comercial sólida com os Estados Unidos. Trump concordou com a necessidade de ampliar o diálogo e propôs que as equipes dos dois governos organizem novas rodadas de negociações presenciais.
Combate ao crime organizado
Outro tema tratado durante a conversa foi o enfrentamento às facções criminosas. Após os Estados Unidos classificarem esses grupos como organizações terroristas, Lula reiterou que o governo brasileiro não concorda com essa definição.
Segundo o Palácio do Planalto, o presidente afirmou que as facções promovem terror contra a população, mas não se enquadram na classificação de organizações terroristas.
“O presidente Lula reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”, destacou o comunicado.
Lula também afirmou que o Brasil dispõe de instrumentos legais para enfrentar as organizações criminosas, citando a estratégia da Polícia Federal de combate ao financiamento desses grupos e a proposta do governo de transformar 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima.
Outros temas da conversa
Além das questões comerciais e de segurança, Lula e Trump discutiram os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, a cooperação policial na Amazônia e a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo o governo brasileiro, o tema dos minerais críticos, considerado estratégico pelo Brasil, não entrou na pauta da conversa. Também não houve anúncio sobre um possível encontro presencial entre os dois presidentes.

