O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo, que ficou conhecido nacionalmente após ser perseguido pela então deputada federal Carla Zambelli com uma arma em punho, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. A decisão foi tomada após o jornalista não quitar uma multa imposta em condenação por difamação contra a parlamentar.
Segundo a decisão judicial, a pena restritiva de direitos foi convertida em pena privativa de liberdade porque Araújo não teria cumprido a prestação pecuniária determinada pela Justiça. O juiz José Fernando Steinberg afirmou que, apesar de ter sido intimado, o jornalista não efetuou o pagamento da multa estabelecida na sentença.
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O caso que resultou na condenação teve origem em um artigo publicado por Araújo após o episódio de outubro de 2022, quando Zambelli o perseguiu armada pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo. Na ação judicial movida pela então deputada, a Justiça entendeu que trechos do texto ultrapassaram os limites da crítica e configuraram difamação. Em 2024, o jornalista foi condenado a oito meses de detenção em regime aberto, pena posteriormente convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de multa.
Pedido de apoio
A defesa de Araújo informou que já ingressou com pedido de habeas corpus. Em declaração à imprensa, os advogados alegaram que o jornalista vive situação de vulnerabilidade econômica e não possui condições financeiras para arcar com o valor da multa.

Em meio à disputa judicial, Araújo também tem buscado apoio financeiro nas redes sociais para mover uma ação por danos morais contra Carla Zambelli. Em publicação no Instagram, o jornalista afirmou que sofreu impactos profundos desde o episódio ocorrido em 2022, relatando prejuízos profissionais e pessoais. Segundo ele, a perseguição armada resultou na perda de oportunidades de trabalho, relacionamentos e afetou sua saúde mental. “Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir pena lá na Europa, está solta. Enquanto isso, estou tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela”, escreveu. A campanha de arrecadação tem como objetivo custear a ação judicial, na qual Araújo pretende pedir indenização à ex-deputada.
Caso ganhou repercussão nacional
O episódio envolvendo Zambelli ocorreu em 29 de outubro de 2022, na véspera do segundo turno presidencial. Imagens registraram a então deputada perseguindo Araújo com uma arma de fogo após uma discussão em via pública. O caso levou à abertura de processos judiciais e se tornou um dos episódios mais emblemáticos da campanha eleitoral daquele ano.
A condenação que levou à decretação da prisão, no entanto, não está relacionada diretamente à perseguição armada, mas ao texto publicado posteriormente pelo jornalista sobre o episódio.

