Gestos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizam que a reunião de trabalho na Casa Branca, marcada para o fim da manhã de quinta-feira (7), deve ocorrer sem intercorrências, avaliam aliados do petista e integrantes do governo brasileiro.
O histórico de tensões com convidados no Salão Oval, neste mandato do republicano, inclui constrangimentos ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e trocas de ofensas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Apesar do precedente negativo do anfitrião, interlocutores da Presidência observam que Trump, nos contatos recentes com Lula, pessoalmente ou por telefonema, sempre foi afável e aberto ao diálogo, após a crise gerada pela aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.
Lula embarcou nesta quarta-feira, por volta de 13h35, para Washington. A visita foi acertada no fim da semana passada por iniciativa do governo americano, que também é um fator tranquilizador para a visita.
Até mesmo a presença de tradutores na reunião de trabalho é mencionada como uma razão para que a tensão não escale no Salão Oval em meio a assuntos difíceis. Ramaphosa e Zelensky conversaram em inglês sem necessidade do tempo da mediação.
Desde que Lula e Trump se falaram por telefone em dezembro do ano passado, as duas equipes mantiveram diálogo permanente não apenas para acertar a agenda, mas também para preparar a pauta da reunião de trabalho.
No cardápio de temas a serem tratados estão o “tarifaço” sobre produtos brasileiros, as investigações americanas sobre o Pix, terras raras e minerais críticos, desmatamento e uma parceria no combate ao crime organizado.
A diplomacia brasileira evita tratar a reunião em clima de confronto e diz se tratar de mais uma etapa do diálogo iniciado em setembro de 2025, quando, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Trump afirmou ter tido uma “ótima química” com Lula após uma rápida conversa.
Em outubro do ano passado, os dois conversaram por telefone e, no mesmo mês, se encontraram pessoalmente à margem da 47ª Cúpula da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Kuala Lumpur, na Malásia. Em dezembro, em novo telefonema, os presidentes trataram do combate ao crime organizado e combinaram uma ida de Lula aos Estados Unidos.
O presidente brasileiro chegou a afirmar que a visita aos EUA ocorreria em março. Porém, de acordo com integrantes do governo Lula, a guerra no Irã, que eclodiu no fim de fevereiro, dificultou a conciliação das agendas.
À espera da reunião na Casa Branca, Lula criticou Trump diversas vezes, condenando guerras, a aplicação de tarifas e o unilateralismo. A postura de defesa da soberania adotada pelo presidente brasileiro ajudou Lula a recuperar popularidade em meio ao tarifaço no ano passado. Para aliados, o enfrentamento com o presidente dos Estados Unidos é uma fórmula que pode ajudar Lula na busca pela reeleição.
Integrantes do governo também minimizam a tensão após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos), em Orlando, na Flórida. Na avaliação deles, o tema não tem dimensão para ocupar espaço na agenda de trabalho dos dois chefes de Estado.
Na ocasião, a PF (Polícia Federal) afirmou que a detenção foi fruto da parceria entre os dois países. Condenado a 16 anos pela trama golpista, Ramagem, que tem um pedido de asilo político, foi solto dois dias depois. Os Estados Unidos determinaram a saída do delegado federal que atuava junto ao ICE, em Miami, e, como resposta, o Brasil expulsou o agente americano que atuava junto à PF.
*Com informações de CNN

