A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou para o aumento de casos graves de Covid-19 em cinco unidades da Federação. O alerta consta no novo Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (5), com dados referentes ao período de 25 a 31 de outubro. Apesar da tendência de crescimento, a incidência da doença permanece em níveis baixos no país.
Segundo o levantamento, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Covid-19 apresentam sinais de alta em Mato Grosso, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Nas quatro últimas unidades, a incidência continua em patamares muito baixos. Em Mato Grosso, o coronavírus é o principal responsável pelo crescimento dos casos graves da síndrome.
O boletim também identifica aumento de infecções respiratórias graves provocadas pelo metapneumovírus e pelo rinovírus em diferentes regiões brasileiras. Os dados fazem parte do monitoramento epidemiológico realizado pela Fiocruz, que acompanha a circulação de vírus respiratórios e seus impactos sobre a população.
Entre os grupos mais afetados estão crianças pequenas e idosos. A maior incidência de SRAG é observada em crianças de até dois anos, principalmente em decorrência de infecções por rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR) e metapneumovírus. Já a mortalidade pela síndrome é mais elevada entre pessoas com 65 anos ou mais.
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o rinovírus foi identificado em 50,1% dos casos de SRAG com resultado positivo para vírus respiratórios. O vírus sincicial respiratório respondeu por 10,1% dos registros, enquanto o coronavírus causador da Covid-19 representou 8,5%.
Entre os óbitos por SRAG com identificação de vírus no mesmo período, o rinovírus esteve presente em 43% dos casos, seguido pela Covid-19, com 24,1%. Os percentuais consideram os registros com identificação laboratorial e não representam a proporção de todas as infecções respiratórias no país.
Avanço de vírus respiratórios
Além da Covid-19, o boletim aponta crescimento de casos graves associados ao metapneumovírus em estados das regiões Sudeste, Sul e Nordeste.
São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe estão entre as unidades da Federação com aumento de registros relacionados ao vírus.
O levantamento também destaca Aracaju, em Sergipe, e João Pessoa, na Paraíba, como capitais que apresentam níveis elevados de atividade de SRAG nas últimas semanas, acompanhados de tendência de crescimento no longo prazo.
Em Roraima, Sergipe e Santa Catarina, a incidência geral de SRAG permanece em níveis de alerta, risco ou alto risco, embora não apresente sinais de crescimento na análise das últimas seis semanas.
Desde o início do ano epidemiológico de 2026, o Brasil registrou 171.369 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Desse total, 91.420, equivalentes a 53,3%, tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório.

