Uma queda de escada, um acidente de moto, um mergulho em águas rasas ou um impacto durante a prática esportiva podem causar lesões na coluna e comprometer os movimentos e a sensibilidade do corpo. Nesses casos, uma tentativa de ajuda sem conhecimento adequado também pode agravar o quadro.
No Dia Mundial da Lesão Medular, celebrado em 5 de setembro, o neurocirurgião e cirurgião de coluna Marco Moscatelli chama atenção para a prevenção, os sinais de alerta e os cuidados necessários nos primeiros momentos após um acidente.
Dor intensa na coluna, formigamento, dormência, perda de força nos braços ou nas pernas e dificuldade para controlar a urina ou as fezes podem indicar uma possível lesão medular. Diante desses sinais, a recomendação é buscar atendimento médico imediatamente.
Segundo Moscatelli, o fato de a vítima conseguir caminhar após o acidente não significa que não exista uma lesão grave.
“Ela pode apresentar uma fratura na vértebra que ainda esteja estável. Se a coluna for movimentada de forma inadequada, essa fratura pode se deslocar e lesionar a medula posteriormente”, alerta.
Movimentação pode agravar lesão
Entre os erros mais frequentes está tentar retirar a vítima do local levantando-a pelos braços, colocando-a sentada ou puxando o corpo. A movimentação inadequada pode transformar uma fratura que inicialmente não provocou comprometimento neurológico em um dano medular irreversível.
A orientação é evitar movimentações desnecessárias e acionar o atendimento de emergência. A vítima só deve ser retirada do local antes da chegada do socorro quando houver risco iminente de morte, como incêndio, possibilidade de explosão ou afogamento.
Em acidentes envolvendo motociclistas, outro cuidado importante é não retirar o capacete sem treinamento adequado.
“A remoção do capacete provoca movimentos de flexão e rotação do pescoço. Se houver uma fratura na coluna cervical, essa movimentação pode comprimir ou causar uma lesão grave na medula”, explica Moscatelli.
A atenção deve ser redobrada quando o trauma atinge a região cervical, localizada no pescoço. Lesões nessa área podem provocar tetraplegia, com perda dos movimentos dos braços e das pernas, além de comprometer músculos responsáveis pela respiração.
Primeiras horas são importantes
O tratamento varia de acordo com a localização, a extensão e a gravidade da lesão. Em alguns casos, pode ser necessária cirurgia para descomprimir a medula ou as raízes nervosas, estabilizar a coluna ou controlar dores provocadas pelo trauma.
As primeiras horas após o acidente são consideradas importantes para a condução do tratamento.
“Descomprimir a medula e estabilizar a coluna precocemente ajuda a reduzir o inchaço e pode ampliar as possibilidades de recuperação neurológica. Por isso, o atendimento rápido e a condução correta da vítima são fundamentais”, afirma o neurocirurgião.
Alguns traumas também podem ser tratados por técnicas minimamente invasivas. Fraturas por compressão e determinados tipos de fraturas estáveis podem ter indicação de fixações percutâneas, realizadas sem grandes cortes, ou de cirurgia endoscópica para uma descompressão pontual.
Também existem procedimentos de cimentação, como a vertebroplastia e a cifoplastia. A escolha do tratamento, entretanto, depende da avaliação individual de cada paciente.
Sobre o especialista
Marco Moscatelli é neurocirurgião e cirurgião de coluna, com atuação em cirurgia endoscópica da coluna vertebral. Segundo as informações divulgadas sobre sua carreira, ele já realizou mais de duas mil cirurgias e foi pioneiro na introdução da cirurgia endoscópica da coluna no Brasil.
O especialista aprimorou sua formação na Alemanha com o professor Sebastian Ruetten, referência internacional na área. Moscatelli também participa de eventos internacionais voltados à formação e atualização de profissionais da América Latina e Europa.
Entre os pacientes operados pelo especialista estão o lutador de MMA Patrício Pitbull e o tenista Felipe Meligeni.

