DO “PERDEU MANÉ” ÀS MANIFESTAÇÕES POLÍTICAS
Houve um tempo — guardado na poeira de bibliotecas que ninguém mais frequenta — em que o Supremo Tribunal Federal (STF) falava estritamente nos autos. Nomes como Aliomar Baleeiro, Sepúlveda Pertence ou Moreira Alves encarnavam uma liturgia quase monástica: votos densos, comunicação sóbria e uma discrição pública que mantinha a Corte respeitada até mesmo por quem perdia o recurso. Ninguém precisava adivinhar o humor matinal de um magistrado pelas redes sociais nem esperar que uma conferência no exterior servisse de palanque para declarações de efeito.
Essa venerável sobriedade evaporou de vez nas calçadas de Nova York, quando Luís Roberto Barroso, então ministro da Corte, brindou o anedotário político nacional com a apoteose do vernáculo refinado: “Perdeu, mané, não amola”. A frase, digna de um bate-boca de fim da manhã na antiga esquina do Café São Luiz, em pleno Grande Ponto, em Natal, virou dogma e epitáfio da autocontenção judicial. Pouco tempo depois, o destino pregou uma de suas peças mais ácidas: a mesma inscrição, pichada com batom na estátua da Justiça durante o delírio golpista de 8 de janeiro, serviu de passaporte para que Alexandre de Moraes aplicasse condenações na casa dos 14 a 17 anos de cadeia a militantes anônimos — rigor excessivo que deixaria qualquer homicida reincidente com inveja da celeridade e do peso da caneta de Brasília.
Desde essa virada de chave, a Praça dos Três Poderes parece ter fundido dois de seus vértices em um só condomínio político. Sob a batuta incansável de Moraes e a bênção benevolente de decanos como Gilmar Mendes, a bancada da toga ganhou reforços sob medida: Cristiano Zanin, alçado da defesa particular de Lula direto para o plenário, e Flávio Dino, que trocou a fogueira ministerial da Justiça pela mesma capa preta que outrora prometia neutralidade. O quarteto atua em perfeita sinfonia, erguendo um escudo impenetrável contra as pretensões da oposição e funcionando ora como linha auxiliar de governabilidade, ora como corte de censura sumária para incautos da internet.
O contraste com os tempos do Mensalão — quando Joaquim Barbosa presidia sessões inflamadas sob os holofotes, mas ainda em um xadrez onde o Executivo sentava no banco dos réus — não poderia ser mais gritante. Se antes o tribunal representava o contraponto institucional e o freio das maiorias de ocasião, o figurino atual lembra uma confraria com projeto próprio de poder: legisla por portaria, investiga em inquéritos intermináveis e pune os “manés” da vez com o peso de uma teocracia secular. A quem ousa discordar, resta torcer para não ter um tubo de batom na bolsa nem uma opinião fora do roteiro aprovado pelo plenário.
ESTRATÉGIA
Inteligente e oportuna a estratégia utilizada pelos marketeiros de Carlos Eduardo Xavier ao adotar o Cadu de Lula em busca da conquista de votos. E deu certo.
ESTRTATÉGIA 2
Cadu tinha contra sua candidatura dois fatores preponderantes: ser um desconhecido para o eleitorado potiguar e contar com o apoio da governadora Fátima Bezerra, que apesar de mostrar trabalho, sofria um desgaste perante a opinião pública.
SUPERAÇÃO
Ao adotar o Cadu de Lula, Carlos Eduardo Xavier se superou em razão também na sua forma de se comunicar e teve facilidade em aprender os “cacoetes” políticos que Alysson faz com exagero, beirando ao ridículo.
LULA
No próximo sábado, o presidente Lula estará em Natal, com o objetivo de tentar ampliar a sua votação no RN e ajudar a eleger Cadu de Lula para o governo do estado.
MACAU
Em cada eleição surgem surpresas, inclusive com o apar de novas lideranças nas comunidades, que chegam mesmo a surpreender os políticos mais experientes. É o caso de Pedro Victor, ex-presidente do Grêmio Estudantil do Campus do IFRN de Macau.
LIDERANÇA
Despontando como liderança comunitária, Pedro Victor reuniu parceiros e parceiras na última eleição e que juntos apoiaram a candidatura de Robson Carvalho para deputado estadual aferindo 1.002 votos.
LIDERANÇA 2
No caso, o agora eleito deputado estadual Robson Carvalho, apoiado por Pedro Victor e sua equipe em Macau, foi o segundo mais votado, ficando atrás apenas do Coronel Azevedo, apoiado por Flávio Veras, que obteve 2.055 votos.
ESTADÃO
Em seu editorial, “O eleitor julgou o Supremo”, o jornal Estado de São Paulo sintetiza: “Fastio com o petismo explica parte do resultado das eleições, mas o empurrão final à direita, sobretudo no Senado, veio do STF. A urna repudiou um Poder que se vê acima do bem e do mal”
EDITORIAL
O editorial do Estadão, após recomendação da existência de um “Código de ética, digno do nome”, finaliza dizendo: “Mas se insistir na soberba e no alheamento à realidade que o cerca, o STF será reformado de fora para dentro, por um Senado eleito claramente com esse propósito”.

