O RN É O VICE-CAMPEÃO DO ABISMO FISCAL
Se você acha que as suas contas do mês estão difíceis de fechar, console-se: o Governo do Rio Grande do Norte transformou o ato de ficar no vermelho em uma verdadeira obra de arte barroca. O estado consolidou-se confortavelmente como o segundo pior cenário fiscal do país. É uma medalha de prata com gosto de cabo de guarda-chuva. Dados recentes mostram que, enquanto a arrecadação do Estado tenta subir de escada, as despesas sobem de elevador panorâmico — os gastos públicos avançaram assustadores 17,7%, enquanto as receitas cresceram míseros 5,3%. Uma conta que desafia qualquer lei da física e da matemática básica.
O mais fascinante de toda essa engenharia do caos é que o governo de Fátima Bezerra não pode nem usar a desculpa de falta de tentativa de tungar o contribuinte. Desde 2025, o governo conseguiu cravar mais 2% na alíquota modal do ICMS, elevando o imposto para 20%. A promessa era de que o oxigênio financeiro finalmente chegaria. Mas a realidade potiguar é implacável: o dinheiro entra e some no ralo das despesas correntes mais rápido do que um picolé de Caicó derrete no sol do meio-dia de Mossoró. O resultado? No final de cada mês, a equipe econômica não faz uma reunião de balanço; faz uma sessão espírita para tentar descobrir como pagar as contas.
Diante desse cenário digno de um filme de terror contábil, é impossível não olhar para trás e proclamar em alto e bom som: Walter Alves tinha toda a razão do mundo!
Vamos rebobinar a fita da política potiguar para dezembro do ano passado. Quando o mundo político do RN vivia a expectativa de ver a governadora Fátima Bezerra renunciar no início de abril para disputar uma cadeira no Senado Federal — um plano que estava carimbado em seu radar —, o vice-governador Walter Alves soltou uma daquelas bombas que deixaram os analistas de plantão com o queixo no chão. Waltinho avisou que não aceitaria assumir o governo do estado.
A alegação do vice, tratada por alguns na época como mera estratégia política, revelou-se pura clarividência financeira. Walter sabia exatamente onde a linha do trem terminava. Ele previu que, a partir de maio, a situação do Rio Grande do Norte ficaria completamente insustentável.
Assumir o governo naquela altura do campeonato significaria herdar uma máquina travada, sem tempo hábil para fazer mudanças na equipe e, muito menos, para operar um milagre e ajustar as contas públicas. Em termos bem claros: a “bomba” fiscal, com o pavio já curtinho e soltando faísca, explodiria direto no seu colo. Diante da escolha entre ser o herói mártir do desastre financeiro ou garantir sua sobrevivência política, Waltinho aplicou o famoso “tô fora”. Preferiu abrir mão da cadeira de governador para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
A recusa de Walter foi tão cirúrgica que desarticulou completamente os planos do PT. Sem um vice disposto a segurar a “bomba-relógio”, Fátima Bezerra teve que engolir o orgulho, recuar da sua candidatura ao Senado e anunciar que permaneceria no cargo até o fim do mandato, sob a justificativa de que o vice havia “rompido o compromisso”. Rompido ou não, o fato é que o instinto de autopreservação de Walter salvou sua biografia de ficar atrelada ao colapso total.
Hoje, com o caixa do estado operando no modo milagre diário fica evidente que o Rio Grande do Norte virou uma grande repartição pública que trabalha exclusivamente para pagar a própria folha e os juros da dívida. Walter Alves não era um pessimista; era apenas alguém que sabia usar a calculadora. E para o cidadão potiguar, resta apenas pagar os 20% de ICMS e torcer para que o último a sair apague a luz — se a COSERN não cortar antes por falta de pagamento do Estado, claro.
CALENDÁRIO
A partir do próximo dia 16, terça-feira é a data limite para o Tribunal Superior Eleitoral divulgar o montante de recursos disponíveis no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral.
CALENDÁRIO 2
No próximo dia 30, é vedado às emissoras de rádio e de televisão transmitir programa apresentado ou comentado por pré-candidato. Ao que parece, aqui no RN há um vazio de apresentadores de rádio e tv na política. Pelo menos nessas eleições.
FUNDO
Para os partidos políticos como o União Brasil, o PL e o PT aqui no estado, os cofres vão estar abarrotados com o Fundo Partidário, fazendo divisão para os candidatos ao governo do estado, senado, câmara dos deputados e assembleia legislativa
UNIÃO
O União Brasil de um “canto de carroceria” em Carlos Eduardo e vai centralizar seus recursos na campanha de Alysson.

