SALINEIRO, A EXTINÇÃO DE UMA PROFISSÃO HISTÓRICA
O Rio Grande do Norte, responsável por cerca de 95% da produção de sal marinho do Brasil, assiste hoje a um processo silencioso de apagamento que vai além da economia: a possível extinção da profissão de SALINEIRO. O termo, que carrega o DNA das cidades de Macau, Mossoró, Areia Branca e Grossos, corre o risco de virar apenas verbete de museu, vítima de um descompasso entre a modernização tecnológica e o desleixo com o capital humano.
A história dessa categoria é marcada pelo suor e pela força física. Até a década de 1970, o salineiro era o protagonista absoluto das cristalizações, extraindo o “ouro branco” nos baldes, em um trabalho braçal que forjou a identidade da nossa região litorânea. No auge dessa era, em Macau, o Sindicato dos Trabalhadores na Extração do Sal chegou a ostentar a força de mais de 4.000 associados, uma massa laboral que pulsava o ritmo do comércio local.
Com a mecanização das grandes salinas, o cenário mudou. A pá deu lugar às colheitadeiras e o salineiro precisou se reinventar. Muitos migraram para outras profissões, mas uma parcela significativa resistiu, ocupando postos na colheita das pequenas salinas, no setor de carregamento de carretas e nas refinarias. Entretanto, o que se vê hoje não é uma transição natural, mas um abandono estrutural.
A fala do presidente do Sindicato dos Salineiros de Macau, Francisco Lima, soa como um toque de recolher. Segundo a liderança, a falta de reconhecimento e valorização por parte da classe empresarial está sufocando a continuidade da profissão. Com salários aviltantes e o desrespeito sistemático a direitos trabalhistas básicos, o setor enfrenta uma crise de sucessão. Os trabalhadores mais antigos estão pendurando as chuteiras pela aposentadoria, e os jovens, testemunhas do sacrifício sem recompensa de seus pais e avós, recusam-se a entrar nos salgados.
O resultado é um setor produtivo que, embora essencial para a balança comercial potiguar, trata o seu trabalhador como um insumo descartável. Se as grandes e pequenas empresas não compreenderem que a sustentabilidade da atividade passa obrigatoriamente pela dignidade do salineiro, em breve não haverá máquinas que supram a falta de braços.
O Rio Grande do Norte poderá continuar sendo o maior produtor de sal do país, mas corre o risco de perder a alma de sua produção. Sem o trabalhador valorizado, o sal potiguar perderá o seu sabor mais importante: o da justiça social. A pergunta que fica para a classe empresarial e para o Governo é: quem colherá e embarcará o sal de amanhã se hoje matamos a esperança de quem o produz?
DEFESA
Tão logo ocorreu a chamada Operação Mederi, com a Polícia Federal no encalço dos envolvidos, inclusive “visitando” a casa do prefeito Alysson Bezerra, o primeiro mandatário mossoroense buscou emissoras de rádio e de tv para se mostrar inocente e afirmar que não tem nenhum envolvimento com a Mederi.
DEPOIMENTOS
Em todos os seus depoimentos, o prefeito Alysson Bezerra, que recentemente teve a sua pré-candidatura ao Governo do Estado lançada em Natal, se mostrou seguro, afirmando que não tem possibilidade de estar envolvido em escândalo de desvio de recursos públicos.
CRÉDITO
Quem acompanhou os depoimentos de Alysson nos vários veículos de comunicação ficou com a certeza de que ele é um inocente e que a Policia Federal estaria cometendo um ato de “perseguição política”, como o prefeito de Mossoró chegou a insinuar.
CERCO
Entretanto, depois que o jornal Estado de São Paulo, o Estadão, com repercussão no Diário do RN, publicou matéria com a informação de que Alysson havia se negado a fornecer as senhas do celular e notebook apreendidos em sua residência, ficou claro que o candidato a governador está escondendo algo.
CERCO 2
Por não fornecer as senhas dos celulares, há indícios de que Alysson não está tão seguro e que no celular e no notebook a PF pode encontrar indícios e caminhos para desvendar provas sobre o envolvimento do burgomestre no desvio de recursos financeiros na área da saúde. O cerca vai se fechando.
CERCO 3
Somente agora ficou se sabendo que a Policia Federal apreendeu R$ 57.500,00 em sacolas de um dos secretários de Alysson, o Almir Mariano, e seu namorado, segundo apurações do jornalista Dinarte Assunção.
CERCO 4
O Blog do Dina diz que Almir Mariano, é conhecido como homem de confiança de Alysson e hoje exerce o cargo de Secretário na Pasta de Programas e Projetos, depois de ter exercido a mesma função na Secretaria de Saúde. Com esses indícios, o cerco vai se fechando sobre a atuação de Alysson Bezerra na Operação deflagrada pela Polícia Federal. É aguardar os próximos capítulos.

