ALYSSON, O ANO ELEITORAL E A POLÍCIA FEDERAL
O cenário político do Rio Grande do Norte, que até então parecia seguir um roteiro de favoritismo consolidado, sofreu um abalo sísmico com as recentes investidas da Polícia Federal. No centro do epicentro está Alysson Bezerra, prefeito de Mossoró e atual líder isolado nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado. O que antes era uma trajetória de ascensão meteórica agora enfrenta o crivo rigoroso dos investigadores, trazendo à tona questionamentos que a coluna CONVERSA LIVRE já havia levantado anteriormente.
Há pouco tempo, estranhou-se o fato de Alysson, mesmo com números tão favoráveis, não ter oficializado sua pré-candidatura. Naquela ocasião, especulou-se que o “freio de mão” puxado poderia ser reflexo de um receio jurídico: o temor de denúncias já protocoladas no Ministério Público que começavam a ganhar corpo na Justiça. O tempo, ao que parece, deu contorno de realidade às suspeitas. A apreensão do celular, do computador e dois HDs do prefeito pela PF, ocorrida no âmbito da Operação Mederi em 27 de janeiro de 2026, não é um ato meramente burocrático, mas um passo incisivo em uma investigação que busca rastrear o fluxo de decisões e capitais.
O caso ganhou nova musculatura com o relato investigativo do jornalista Dinarte Assunção. O foco recai sobre a empresa DISMED (Distribuidora de Medicamentos Ltda), sediada em Mossoró e apontada como pivô de um esquema de fraudes milionárias. Segundo as investigações, a estrutura administrativa teria sido utilizada para escoar verbas destinadas à saúde. Os pontos centrais levantados pelo trabalho jornalístico e pela PF incluem: 1) A “Matemática de Mossoró”: Diálogos interceptados revelam empresários discutindo o pagamento de propinas que chegariam a 15% do valor dos contratos para o prefeito; 2) Fraudes Licitatórias: Direcionamento de certames para favorecer a DISMED em troca de vantagens ilícitas; 3) A Operação Maderi: A deflagração desta fase ostensiva busca confirmar se os desvios serviram para alimentar um projeto político de poder regional e estadual.
Enquanto a Polícia Federal trabalha com dados, notas fiscais e quebras de sigilo, Alysson Bezerra adotou o tom da “perseguição política”, declarando surpresa pela operação ocorrer justamente em um ano eleitoral e no momento em que sua liderança rumo ao Centro Administrativo parece ameaçar as estruturas tradicionais do poder.
O grande dilema que se impõe agora é a percepção do eleitor. Alysson Bezerra é um comunicador nato e detém uma popularidade robusta, mas o “carimbo” de uma investigação federal sobre desvios na saúde é um fardo pesado.
A questão central não é mais apenas se Alysson lidera as pesquisas, mas se sua estrutura de defesa conseguirá ser tão eficiente quanto seu marketing político.
Se as investigações avançarem e as provas se solidificarem — especialmente após a perícia nos equipamentos apreendidos —, o favoritismo poderá ser substituído pela fragilidade jurídica. O ano de 2026 transformou-se em um campo minado onde cada arquivo extraído pode reescrever o futuro político do Rio Grande do Norte.
INVESTIGAÇÃO
Quando a imprensa noticia que a Policia Federal vai investigar a compra de R$ 6 milhões e 300 mil de autoria da DISMED para a Prefeitura de Mossoró, parece até absurdo, mas não é.
INVESTIGAÇÃO 2
O valor de R$ 6 milhões e 300 mil distribuídos em dois anos representa uma venda, em média, de R$ 262.500,00 de medicamento/mês. Para um município como Mossoró, é quase nada. Isso se focando apenas no montante da compra.
MUDANÇA
A coisa muda de figura, quando sobre esse valor de R$ 6.300.000,00 é aplicado um percentual de propina de 15%, como cita do jornalista Dinarte Assunção em sua matéria investigativa. Aí, quem recebeu a propina, “embolsou” nada menos que R$ 945.000,00. Ou seja, quase R$ 1 milhão, só em um único negócio.
DISMED
Segundo o jornalista Dinarte Assunção, a trajetória da DISMED é que deixa “rastros” acentuados em todo esse seu envolvimento com as várias Prefeituras do RN, incluindo a de Mossoró. E a Policia Federal, certamente vai investigar a fundado.
CAPÍTULOS
Somente nos próximos dias é que teremos desdobramentos sobre a situação do bloco político liderado pelo prefeito Alysson Bezerra. Por enquanto, é aguardar os acontecimentos, pois os interessados deverão fazer pesquisas de opinião pública para consumo interno e medir a “temperatura” dos acontecimentos.
SILÊNCIO
Quem, por acaso, for analisar as consequências dos acontecimentos de hoje, vai analisar com o “fígado”, tomando partido. Apenas com maiores esclarecimentos das investigações e suas repercussões é que poderemos ter análises com os “pés no chão”. As próximas pesquisas é que indicarão se haverá mudanças.

