A FRAGILIDADE DA GOVERNAÇA DO PT
O Partido dos Trabalhadores (PT), desde seus primeiros mandatos no poder federal, desenvolveu uma dinâmica peculiar e muitas vezes controversa na arte de construir sua base de apoio. A necessidade imperiosa de governabilidade em um sistema multipartidário, como o brasileiro, frequentemente leva o partido a buscar alianças que, na prática, parecem se sustentar mais na retórica da coalizão do que na efetiva partilha do poder. Essa tensão entre a necessidade de apoio e a relutância em ceder espaços estratégicos a não-petistas volta à tona e hoje se manifesta na fragilidade da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.
O modus operandi é conhecido: em momentos cruciais de negociação, o PT acena com a promessa de uma gestão verdadeiramente “compartilhada” e inclusiva. No entanto, quando as peças são assentadas, a distribuição de cargos e, principalmente, de ministérios de peso, revela um viés centralizador. A recente inclusão de nomes historicamente ligados à cúpula do partido, como Gleisi Hoffmann e Alexandre Padilha, em posições-chave, reforça a percepção de que, apesar dos acordos e dos votos de parlamentares de outras legendas, a espinha dorsal da gestão permanece inegavelmente petista.
Essa estratégia, embora garanta a fidelidade ideológica em postos estratégicos, cobra um preço alto em termos de confiança e sustentabilidade política. O resultado é o quadro de instabilidade que se desenha com as notórias cisões e dificuldades de relacionamento com os presidentes das Casas Legislativas: o presidente da Câmara, Hugo Mota, e o presidente do Senado, Dav id Alcolumbre.
As crises de relacionamento com o Congresso não são meros ruídos políticos; são sintomas da fragilidade da base de apoio. Quando parceiros de coalizão se sentem sub-representados ou marginalizados nas decisões e na distribuição de poder, a tentação de agir com autonomia e até mesmo de impor derrotas ao governo cresce exponencialmente.
Na prática, o governo Lula se vê agora em um dilema de difícil solução. A base de apoio está fragilizada e o futuro da gestão se torna uma incógnita. A ausência de um consenso sólido e o ressentimento latente entre os aliados não-petistas criam um ambiente propício para a pauta do governo ser constantemente barrada, modificada ou adiada. O sucesso de qualquer gestão depende da capacidade de dialogar e de honrar os acordos firmados, especialmente na cessão de espaço político. O PT precisa decidir se a manutenção do controle interno em detrimento da governabilidade externa é uma troca vantajosa. Até o momento, a instabilidade sugere que não é.
O futuro do governo Lula será definido pela sua capacidade de reverter essa percepção e de construir uma coalizão que seja de fato, e não apenas no discurso, plural e representativa.
PODER
Enquanto o então presidente Jair Messias Bolsonaro fazia questão de “brigar” com a imprensa e com membros da alta cúpula do judiciário, o presidente Lula sabe fazer afagos e assim vai fortalecendo o seu governo que segue “aparelhando” tudo o que é de organismo federal.
CONSEQUÊNCIAS
Por conta de suas intempestividades e de seus arroubos é que o ex-presidente Jair Bolsonaro está “pagando caro” nos dias de hoje. Principalmente por conta de seus conflitos com membros do judiciário.
NEGOCIAÇÕES
A coluna, em conversa com o ex-prefeito Carlos Eduardo Nunes Alves (PSD), buscando informações sobre o momento político, sentiu que ele se resguardou e apenas verbalizou: “o momento é de conversas reservadas”. O que não está faltando mesmo nesse período são as confabulações. Cada um dos políticos no “se salve quem puder”.
ORÇAMENTO
A Assembleia Legislativa (ALRN), através da Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) aprovou o Projeto de Lei 451/2025, que estima a receita e fixa as despesas do Rio grande do Norte para o exercício de 2026. A matéria, com relatoria do deputado Tomba Farias (PL), recebeu emendas modificativas e aditivas.
DÉFICIT
O relatório do deputado Tomba Farias destaca que o Orçamento do Estado para o próximo ano terá um déficit de R$ 1,54 bilhão. A receita, segundo previsão dos técnicos estaduais está estimada em R$ 25,67 bilhões, enquanto que a despesa está fixada em R$ 27,21 bilhões.
PEÇA
A Lei Orçamentária Anual (LOA) 2026 tem a transparência de que as maiores despesas estarão com a Previdência, seguida por Educação, Saúde e Segurança, consumindo grande parte do orçamento e limitando a capacidade de investimento.
FRAGILIDADE
O relatório da Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) também alerta para a fragilidade financeira do RN, que permanece com nota C na Capacidade de Pagamento (CAPAG) e enfrenta baixa liquidez e crescimento acelerado de despesas obrigatórias. Prfeocupante.

