RESSURGINDO DAS CINZAS
O silêncio de um ano de Carlos Eduardo Nunes Alves se quebrou e, com ele, o cenário político do Rio Grande do Norte também se estilhaçou. A calmaria pré-eleitoral, marcada por candidaturas em construção e articulações veladas, deu lugar a um terremoto que pode redefinir completamente a corrida pelo Governo do Estado e as duas vagas para o Senado Federal em 2026.
O pivô de tudo? A pesquisa DATAVERO, que, ao contrário da percepção geral, mostra a força eleitoral do ex-prefeito.
A pesquisa, realizada nos dias 3 e 4 de setembro na Região Metropolitana de Natal, que concentra quase 40% do eleitorado potiguar, revelou algo que muitos na classe política consideravam impossível: Carlos Eduardo Nunes Alves (PSD), derrotado nas três últimas eleições (2018, 2022 e 2024), não está “liquidado” eleitoralmente. Pelo contrário. O nome dele surge com musculatura para brigar de frente tanto para o Governo do Estado quanto por uma das cobiçadas cadeiras no Senado Federal.
Até a divulgação desses números, a narrativa dominante era a de que Carlos Eduardo, após a derrota acachapante nas eleições municipais de 2024 em Natal — quando sequer alcançou o segundo turno — seria uma figura do passado. A classe política, em sua maioria, já o havia descartado, focando em outros nomes que emergiam como potenciais candidatos. Essa percepção, no entanto, foi desmentida pela frieza dos números.
O que essa pesquisa demonstra é que o capital eleitoral de Carlos Eduardo, embora menos visível após suas últimas derrotas, não se desintegrou. Pelo visto, o ex-prefeito tem um voto fiel, que o mantém competitivo mesmo diante de um histórico recente de insucessos. Essa lealdade de parte do eleitorado, somada a um eventual desgaste de outros nomes, coloca-o de volta no tabuleiro político como um jogador de primeira linha.
A revelação do DATAVERO tem o potencial de causar uma reviravolta nas alianças e estratégias dos grupos políticos. Candidatos que se sentiam confortáveis em suas posições agora precisam recalcular a rota. Grupos que já haviam fechado as portas para o ex-prefeito podem ser forçados a reavaliar suas decisões. Afinal, a política é a arte do possível, e a pesquisa mostrou que, com Carlos Eduardo, tudo é, mais uma vez, possível.
O silêncio do ex-prefeito, que durou cerca de um ano, agora pode ser visto não como um sinal de derrota, mas como uma estratégia calculada. Enquanto os holofotes se voltavam para outros, Carlos Eduardo aparentemente estava capitalizando seu capital político, aguardando o momento certo para voltar ao jogo. Esse momento chegou, e o sinal é claro: a corrida eleitoral no Rio Grande do Norte, que parecia com as cartas marcadas, acaba de ganhar um novo, e inesperado, protagonista.
Agora, resta saber como os demais candidatos e a classe política como um todo vão reagir a essa nova realidade. A eleição de 2026, que parecia distante, acaba de ficar muito mais interessante.
PARTIDO
O Partido Social Democrata – PSD é a mesma sigla que abriga o ex-prefeito Carlos Eduardo e a senadora Zenaide Maia, que ultimamente tem se mostrado fidelíssima à candidatura de Alysson Bezerra ao Governo do Estado (União Brasil) e tem recebido a reciprocidade. Até parecem gêmeos siameses.
POSICIONAMENTO
Com esse capital eleitoral detectado pela pesquisa do DATAVERO, o ex-prefeito Carlos Eduardo ainda não se pronunciou sobre qualquer definição, mas pode optar por disputar o Governo do Estado ou uma das vagas do Senado Federal. Ele está no jogo e tem cacife para mostrar sua força aos demais competidores.
FUTURO
Há quem defenda ele se posicionar como a quarta via eleitoral, já que as candidaturas postas para o Governo são as de Alysson, Rogério e Cadu. Ele seria a quarta candidatura, já bem posicionada se levado em consideração o resultado da pesquisa feita na Região Metropolitana de Natal.
FUTURO 2
Mas Carlos Eduardo tem cacife também para disputar uma das duas vagas para o Senado Federal.
Pelo resultado da pesquisa, o senador Styvenson Valentim assume a pole posicion para renovar o seu mandato, enquanto na disputa pela segunda vaga aparecem empatados Carlos Eduardo (PSD), Fátima Bezerra (PT) e Zenaide Maia (PSD).
POSSIBILIDADE
Uma outra possibilidade, diante do quadro atual – pesquisa significa uma fotografia do momento – Carlos Eduardo pode optar a se filiar ao MDB mantendo a aliança com a governadora Fátima Bezerra (PT).
POSSIBILIDADE 2
Nesse caso, Carlos Eduardo seria o candidato do grupo a Governador, reforçaria apoio à candidatura de Fátima Bezerra para voltar a ser Senadora, com Zenaide Maia complementando a chapa para o Senado. Fecharia a chapa majoritária com Cadu Xavier sendo seu vice-governador.

