O Rio Grande do Norte registrou aumento nos casos de ciguatera, uma intoxicação alimentar associada ao consumo de peixes contaminados nesta semana. Com cinco notificações da mesma família, o estado chegou a 115 casos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN.
O crescimento chama atenção. Em 2025, foram confirmados 90 casos. Já em 2026, o número atual representa um aumento de aproximadamente 27,8% em relação ao total do ano passado.
Diante do cenário, autoridades de saúde reforçam o alerta para que a população redobre a atenção ao consumir pescado. Em janeiro, após a alta de registros, a Sesap publicou uma nota técnica com orientações para consumidores, comerciantes e profissionais de saúde. Atualmente, o RN é o único estado do país que realiza notificação específica para a doença.
Surtos desde 2022
Os registros de ciguatera no estado vêm sendo monitorados desde 2022, com surtos e casos isolados associados a diferentes espécies de peixes. Entre os mais citados estão barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado.
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A doença é causada pela ingestão de peixes que vivem em áreas de recifes e corais contaminados por ciguatoxinas — substâncias produzidas por microalgas invisíveis a olho nu. Essas toxinas entram na cadeia alimentar e se acumulam em peixes maiores.
Sintomas podem durar meses
Os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo do pescado contaminado. Entre os principais sinais estão dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca.
Em alguns casos, os efeitos persistem por semanas ou até meses.
Recomendações à população
De acordo com a Sesap, a orientação é procurar atendimento de saúde imediatamente ao apresentar sintomas, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas. Além disso, é importante identificar a espécie consumida e preservar sobras do alimento para análise.
Também é recomendado evitar o consumo de peixes associados a casos de intoxicação, especialmente quando a procedência é desconhecida.
Notificação e atendimento
As equipes de saúde devem registrar os casos suspeitos no SINAN e comunicar às autoridades sanitárias.
Em caso de dúvidas, profissionais podem acionar o CIATOX-RN, que funciona 24 horas por dia.
Sem antídoto específico
Não existe tratamento específico para a ciguatera. O atendimento é baseado no controle dos sintomas, com hidratação, analgesia e acompanhamento clínico.
As autoridades alertam ainda que as ciguatoxinas não são eliminadas por cozimento, congelamento ou outros métodos tradicionais. Por isso, a prevenção segue sendo a principal forma de evitar novos casos.

