Entre cinema, artes gráficas e o diálogo poético com o Sertão Potiguar
FORMAÇÃO E PRIMEIROS PASSOS
Numa coluna de jornal não seria suficiente para descrever a brilhante carreira de Sérgio Azevedo de Oliveira, nascido em Natal em 25 de novembro de 1964. Filho de Nelson Rocha de Oliveira e Terezinha Azevedo de Oliveira. De nome artístico Azol, é um artista visual cuja trajetória se constrói a partir de uma sólida formação e de uma inquietação criativa que atravessa diferentes linguagens. Formado em Cinema e Artes Gráficas nos Estados Unidos, ele não se limitou a uma única vertente da expressão artística.
Desde cedo, dirigiu curtas-metragens e produziu programas para emissoras de grande relevância no Brasil, como Manchete, Bandeirantes e Globo. Seu trabalho também se estendeu ao campo da publicidade, da produção de vídeos institucionais para empresas e da criação de conteúdos para a internet, mostrando sua versatilidade e capacidade de transitar entre diversos formatos e públicos.
MULTIDISCIPLINARIDADE COMO MARCA


Essa diversidade não se restringe a suportes ou meios de difusão. Azol atua de maneira declaradamente multidisciplinar, estabelecendo diálogos entre pintura, escultura, colagem, mural, videoarte, literatura e fotografia.
Seu objetivo vai além da técnica: busca fomentar um pensamento poético e sensível, capaz de refletir sobre as questões que movem o espírito e atravessam o fazer artístico. Em sua obra, o cruzamento de linguagens é mais do que recurso estético, é ferramenta de reflexão sobre o mundo e sobre os caminhos da arte.
PESQUISA E EXPERIMENTAÇÃO
Em 2016, movido pelo desejo de aprofundar suas pesquisas, integrou o grupo de estudos de arte no ateliê do pintor Sérgio Fingermann. A experiência ampliou suas possibilidades de investigação e consolidou sua prática como artista que não se contenta com o estático, mas prefere a travessia por múltiplos territórios.
Esse percurso de experimentação se reflete em sua presença nas artes visuais contemporâneas, sempre marcada por intensidade cromática, rigor conceitual e abertura para novas experiências.
RECONHECIMENTO NO BRASIL E NO MUNDO
A carreira de Azol é também marcada por circulação nacional e internacional. Participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, passando por França e Estados Unidos, e chegando até a sede das Nações Unidas, em Nova York.
Sua arte esteve presente em feiras internacionais em Paris e Nova York, o que demonstra o reconhecimento de seu trabalho em diferentes circuitos culturais. O diálogo com públicos tão distintos revela a força universal de sua obra, ao mesmo tempo enraizada em suas experiências e aberta ao mundo.
O DIÁLOGO COM CASCUDO E O SERTÃO
A leitura crítica de sua produção vai além da biografia. Como escreveu Manoel Onofre Neto, ao aproximar Azol de Luís da Câmara Cascudo, o artista potiguar também se volta para o Sertão, não apenas como paisagem, mas como experiência poética e simbólica.
Se Cascudo percorreu o interior nos anos 1930 e registrou em Viajando o Sertão suas impressões sobre o povo, a fala, a cozinha e a religiosidade, Azol realiza uma travessia semelhante pela via pictórica e sinestésica.
Seu trabalho transforma o Sertão em um “mar de possibilidades estéticas e visuais”, explorando pinturas, fotomontagens, vídeos e instalações. Em tons de vermelho, a cor primordial da humanidade, o artista recria suas raízes sertanejas e provoca, ao mesmo tempo, contemplação e crítica social.
ENTRE MEMÓRIA E EXPERIMENTAÇÃO
A obra de Azol se inscreve como herdeira de uma tradição cultural, mas também como renovadora dessa mesma tradição. Ele confabula com Cascudo, traduzindo em imagens contemporâneas a força ancestral do Sertão.
Entre rigor estético e liberdade criativa, entre memória e experimentação, Azol constrói um território de reflexão e encantamento que projeta a arte potiguar para o mundo.
Fonte: informações repassadas pelo Curador e Crítico de Arte Manoel Onofre Neto