Análise técnica elaborada pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pedido do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, não identificou a veiculação de notícias falsas específicas no canal de WhastApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
No período examinado, entre os dias 2 e 11 de outubro, a equipe técnica do TSE analisou as mensagens públicas do canal e não encontrou reproduções das afirmações investigadas nos autos — as quais envolviam supostos cortes de benefícios sociais, alteração de aposentadorias ou temas religiosos.
No entanto, a assessoria técnica do TSE vê riscos no canal e aponta “evidências de atuação coordenada e centralizada para inflar conteúdos digitais”.
O parecer ressalva ainda que parte do conteúdo publicado anteriormente, em setembro, foi apagado antes da checagem pública e que os vídeos vinculados às postagens não puderam ser integralmente transcritos devido à urgência da consulta pedida por Nunes Marques.
Crescimento explosivo
A investigação destacou uma escalada na audiência do canal no WhatsApp. A base de seguidores saltou de aproximadamente 55 mil, em 5 de outubro, para 3,3 milhões de inscritos no dia 11 de outubro — uma expansão de cerca de 60 vezes em apenas seis dias. Segundo os registros do relatório, mensagens contendo textos de convocação chegaram a alcançar 344 mil encaminhamentos na plataforma.
De acordo com o parecer, a comunidade operava sob comando centralizado e sincronizado, emitindo orientações diárias em tom de “missão” para os participantes. Entre as práticas documentadas pela assessoria técnica estão:
- Engajamento prévio sem visualização: orientação expressa para que os seguidores curtissem, comentassem e compartilhassem vídeos no Instagram “antes mesmo de assistir”, com o objetivo declarado de “sinalizar pro algoritmo que o conteúdo é relevante”.
- Ações coordenadas de hashtags: convocação com horário marcado para alavancar termos no X (antigo Twitter), a exemplo da hashtag #LULANAPAULISTA, que atingiu o topo das tendências exibidas no canal logo após o disparo da orientação.
- Linguagem militarizada: Emprego frequente de caixa-alta, pontos de exclamação e vocabulário bélico (“soldados”, “missões”, “exército”, “sangue nos olhos”), construindo uma narrativa de oposição direta (“nós” contra “eles”) no contexto eleitoral.
Pedido de Nunes Marques
A análise ocorreu após determinação do ministro Kassio Nunes Marques para pede que a assessoria informasse “se identificou a circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes àqueles examinados nestes autos, inclusive em outros canais e plataformas digitais, bem como eventual atuação coordenada destinada à sua disseminação”.
Nunes Marques chegou a determinar a derrubada do canal nesse domingo (11), mas uma decisão do corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o funcionamento e determinou que o caso deve ser analisado no plenário da Corte.

Entenda o caso no TSE
- O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao TSE a derrubada do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado por Janones.
- A ação caiu na mão do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que pediu no sábado (10/10) que as partes prestassem informações sobre o caso.
- Cueva determinou que Lula, Janones e Alckmin, acusados no processo, apresentassem defesa em 5 dias, e deu 72 horas para que a campanha de Flávio detalhe as irregularidades alegadas sobre as publicações no canal.
- Nunes Marques, em outro processo, determinou a suspensão do canal de WhatsApp, proibindo o ingresso de novos membros e envios de novas mensagens.
- Cueva, que além de ministro é corregedor-geral do TSE, suspendeu a decisão de Nunes Marques, reestabeleceu o funcionamento do “Exército do Lula” e determinou que o plenário analise o caso.
“Exército do Lula”
O canal de WhatsApp “Exército do Lula” foi criado e é coordenado pelo deputado federal André Janones. Após o primeiro turno das eleições, o canal aumentou de tamanho exponencialmente, e conta atualmente com 3,7 milhões de seguidores.
O aumento passa também pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pediu publicamente que seguissem o canal.
No canal, Janones publica orientações e links de notícias e páginas de redes sociais à militância de Lula.
Em resposta, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criou um canal nomeado “Tropa do Flávio”, em apoio à eleição do candidato do PL à Presidência. O canal em apoio a Flávio conta com 1,4 milhão de seguidores.
*Com informações de Metrópoles

