A Justiça francesa condenou a Airbus e a Air France nesta quinta-feira (21) por homicídio culposo pelo acidente do voo AF447. A queda da aeronave que decolou do Rio de Janeiro para Paris matou 228 pessoas em 2009.
A nova sentença aponta as duas empresas como as únicas responsáveis pelo pior desastre aéreo da história da França. O tribunal determinou o pagamento da multa máxima de 225 mil euros (R$ 1,3 milhão) por cada companhia.
Após o anúncio do veredito, a Air France declarou publicamente que vai recorrer à Suprema Corte francesa. A companhia relembrou que já havia sido absolvida.
— A empresa está ciente de que este recurso prolonga um processo que já era longo, especialmente para as famílias, mas ressalta que a responsabilidade criminal da Air France já havia sido descartada duas vezes — disse.
Em 2023, um tribunal de instância inferior absolveu a companhia aérea e a fabricante. Na ocasião, os magistrados avaliaram que, apesar de falhas por imprudência e negligência, não foi comprovado um nexo causal seguro que gerasse o acidente em si.
O Ministério Público da França, no entanto, mudou o seu posicionamento inicial. Em novembro de 2025, o órgão solicitou formalmente ao tribunal de apelação de Paris a condenação das marcas por homicídio culposo, quando não há a intenção explícita de matar.
No decorrer das audiências, Airbus e Air France negaram as acusações criminais. As defesas alegaram que o acidente ocorreu devido a decisões erradas tomadas pelos pilotos da aeronave, que enfrentavam uma situação de extrema emergência durante o voo.
Familiares das vítimas consideraram os valores das multas simbólicos diante do faturamento das empresas. Apesar disso, os grupos declararam que a condenação é um reconhecimento do sofrimento. Advogados preveem novos recursos na corte máxima do país.
O ACIDENTE
O voo AF447 decolou do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, às 19h29 do dia 31 de maio de 2009, com destino à capital francesa. Na madrugada do dia seguinte, a aeronave modelo Airbus A330-200 desapareceu dos radares enquanto sobrevoava o Oceano Atlântico.
Os primeiros destroços da fuselagem foram encontrados poucos dias após o acidente, no entanto, o procedimento terminou apenas em 2011, devido a profundidade da região. A investigação foi encerrada em 2012.
As autoridades francesas concluíram que os pilotos reagiram de forma incorreta ao congelamento dos tubos de pitot, sensores responsáveis por comunicar à cabine a velocidade real da aeronave. No voo estavam 59 brasileiros.

