O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) abriu inquérito para investigar denúncia da existência de cargos fantasmas na Câmara Municipal de Ipanguaçu, entre 2021 e 2022. Os supostos atos de improbidade administrativa teriam ocorrido durante a presidência de Jefferson Charles de Araújo Santos (PL), conhecido como “Gordo Filho”. O investigado concorre atualmente à Prefeitura Municipal na eleição suplementar do município, que será realizada no próximo domingo (5).
O MPRN determinou a abertura de inquérito após ter recebido denúncias de que a presidência da Câmara Municipal de Ipanguaçu havia feito a contratação de funcionários fantasmas durante o período de nove meses, entre os meses de novembro de 2021 e julho de 2022, na presidência de Jefferson “Gordo Filho”.
A promotora de Justiça Juliana Lucena determinou ainda que o legislativo de Ipanguaçu encaminhasse ao órgão, no prazo de 15 dias, a relação com os nomes de todos os servidores públicos contratados pela Câmara Municipal entre os meses de novembro de 2021 e julho de 2022, além do registro de pontos. Os documentos foram entregues dentro do prazo estipulado.
Um dos principais investigados no caso, Jefferson “Gordo Filho” é vereador em Ipanguaçu desde 2016 e, após a cassação dos mandatos de prefeito e vice-prefeito, Valderedo Bertoldo (PL) e Mara Carmelita Lopes (PSB) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-RN), ele assumiu a Prefeitura Municipal interinamente em 17 de novembro de 2022. Em janeiro deste ano, foi retirado do cargo após nova eleição para presidente da Casa, cujo vencedor foi o vereador Doel Soares (PL).
Desde então, Jefferson “Gordo Filho” e Doel Soares iniciaram uma troca de acusações e briga judicial, uma vez que ambos se consideram no direito de exercer a função de prefeito interino. Em janeiro, uma decisão expedida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) reconheceu Doel como prefeito. Após perder a interinidade, “Gordo Filho” resolveu concorrer a prefeito na eleição suplementar de Ipanguaçu, neste domingo (5), para um mandato-tampão até 31 de dezembro de 2024. Seu concorrente é o ex-vereador Remo Fonseca (PP).
ACUSAÇÕES DE AGRESSÃO
Além da investigação por improbidade administrativa do MPRN, Jefferson Santos “Gordo Filho” também é acusado de ter promovido, junto com seus apoiadores políticos, três integrantes de uma família do Distrito de Pedrinhas, em Ipanguaçu. Eles relataram apreensão e medo com uma possível vitória do acusado, visto que teriam sido agredidos física, psicológica e moralmente, após a divulgação do resultado das eleições municipais de 2016.
Bruna Roque, uma das vítimas revelou ao Diário do RN nesta segunda-feira (27) como teria ocorrido a violência. “Estávamos comemorando a eleição do nosso candidato a vereador, quando ele chegou com seus apoiadores e começou a nos intimidar. Saímos do local e fomos para casa, mas eles nos seguiram e começaram a nos provocar. Bateram no meu tio e no meu irmão e quando fui tentar apartar a briga, ele me acertou um murro no olho esquerdo, e continuou as agressões, junto com seus eleitores”, afirmou.
Ela relatou ter registrado boletim de ocorrência na delegacia de Pendências, mas que, até o momento, não recebeu nenhum retorno ou foi chamada para prestar depoimento. E afirmou que a possibilidade de ascensão política de seu agressor causa temor à sua família. “Esquecer, nunca vou esquecer, mas dependendo do resultado de domingo, temos receio de como serão nossas vidas, porque ele e seus apoiadores são pessoas muito agressivas e violentas. Se ele fez isso enquanto era vereador, o que não será capaz de fazer sendo prefeito” desabafou.

