Medalhista de ouro em olimpíadas nacionais dentro do universo da ciência e tecnologia, a estudante mineira Millena Xavier, de 17 anos, está na edição brasileira da ‘Forbes Under 30’ de 2023, que, desde 2014, reconhece empreendedores de até 30 anos que revolucionam os negócios. Natural de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, a adolescente garantiu seu nome na lista, na categoria Ciência e Educação, depois de desenvolver uma Inteligência Artificial (IA) para auxiliar alunos que querem se engajar em olimpíadas científicas. No futuro, Millena diz que quer fundar e dirigir a própria empresa de tecnologia.
A ferramenta, chamada de Prep AI, é dedicada ao ensino de história e matemática. Por lá, os alunos tiram dúvidas e ainda obtêm informações sobre olimpíadas nessas duas áreas de conhecimento. A invenção impactou mais de 60 mil jovens em vulnerabilidade social. O reconhecimento na Forbes leva em conta também a criação da ONG Prep Olimpíadas, em novembro de 2020, por meio da qual a invenção foi difundida e mais de 200 escolas receberam palestras sobre o tema. Em dezembro do ano passado, ela foi surpreendida com a indicação para integrar a seleta lista da revista.
Ser uma Forbes Under 30 é um grande marco na minha carreira acadêmica, não só pelo nome que a premiação carrega, mas pelo networking que obtive com tal conquista”, avalia Millena. Com o prestígio da publicação, a estudante passou a fazer parte da “International Research Olympiad” – IRO (Olimpíada Internacional de Pesquisa), que é organizada por estudantes das universidades de Stanford, Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
“No cenário internacional, participei de alguns eventos em algumas universidades, o que me possibilitou criar conexões. Uma delas foi com um estudante de Harvard, que é diretor da IRO e me convidou a participar.” Ela também é a única brasileira no Comitê Internacional da Olimpíada de Robótica, que conta com professores seniores das melhores universidades do mundo.
Filha de funcionários públicos, Millena se mudou em 2022, aos 15 anos, para Viçosa, onde hoje cursa o terceiro ano do ensino médio em um colégio federal. Lá, ela teve a oportunidade de se desenvolver academicamente por meio de feiras e eventos científicos. Em entrevista ao Estado de Minas, a estudante conta que o interesse sobre o assunto surgiu depois de assistir, por curiosidade, a uma cerimônia de premiação de uma olimpíada em uma escola onde a mãe trabalhava em Juiz de Fora.
“Conversei com um medalhista e descobri o mundo das olimpíadas científicas, que antes eu não sabia nada. Pesquisei mais e vi as diversas oportunidades, como bolsas para faculdades no Brasil e no exterior, além de bolsas de iniciação científica. Resolvi, então, participar de olimpíadas e pedi para minha professora, lá pelo meu oitavo ano, para me inscrever. Só que ela achava que isso ia tirar o foco dos vestibulares. Por isso, ela não aceitou. Porém, com a pandemia, consegui participar de várias olimpíadas sem apoio e vínculo escolar”, conta.
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