A Câmara Municipal de Natal voltou a ser palco de confusão entre vereadores nesta quarta-feira (18), quando os vereadores Anderson Lopes (PSDB) e Robério Paulino (Psol) trocaram insultos e ameaças durante sessão no Plenário. O primeiro afirmou ter sido ameaçado de morte pelo colega, que rebateu afirmando ter sido ameaçado de agressão física e que exerceu seu direito de defesa “da forma que fosse necessária”. A situação acabou com ambos procurando uma delegacia de polícia para registrar boletim de ocorrência um contra o outro.
Segundo Anderson Lopes, tudo aconteceu após um desentendimento entre Robério Paulino e o vereador Daniel Valença (PT), quando ele disse ter pedido a continuidade dos processos legislativos de votação, quando teria sofrido a ameaça: “O colega (Robério) disse que eu estava ‘zombando’ dele, foi quando me chamou de moleque e que iria dar um ‘balaço na minha cara’”, falou.
Logo após, Anderson subiu à tribuna e pediu que ficasse registrado oficialmente o ocorrido. “Eu fui ameaçado de morte pelo professor agora, ele disse que ia atirar em mim, em alto e bom som. Que fique registrado! Eu fui ameaçado por um vereador de esquerda que defende o desarmamento”, disse, garantindo que faria o registro do fato na delegacia também.
Por sua vez, Robério disse que a discussão acalorada teria sido motivada pelo comportamento do colega que estava utilizando de “deboche e insultos” durante seus posicionamentos. Ele assumiu que fez a ameaça contra o colega, “no calor do momento, mas que jamais faria isso se ele não tivesse passado a sessão inteira sentado atrás de mim, me provocando, insultando e me interrompendo com deboche sempre que eu pedia para falar”.
Ele falou que Anderson se sentou logo atrás dele, coisa que nunca fez. “A sessão foi muito tensa pelo que consideramos um atropelo da situação sobre a oposição, com votação atropelada de dezenas de vetos do prefeito a projetos de vereadores. O vereador Anderson sentou atrás de mim e me provocou do começo ao fim, interrompendo minhas falas e debochando de mim. Eu, com todo respeito, pedi que ele parasse de debochar e me interromper. Ele disse que continuaria debochando e que eu fizesse o que quisesse”, desabafou.
Robério reconheceu que se exaltou e ameaçou o colega. “Ele me disse que, se eu quisesse, nós resolveríamos de outra forma, o que eu considerei uma ameaça física. Infelizmente, no calor do conflito, de forma errada, eu disse que se ele me agredisse, eu recorreria ao que fosse necessário para me defender, como me garante a Constituição Federal. É um direito meu de defesa. Ele ameaçou me agredir e eu revidei, de forma errada, reconheço, mas tinha que me defender”.
Questionado se lembraria do termo utilizado durante a discussão, o vereador Robério confirmou – mais uma vez- que houve a ameaça e assumiu seu erro na conduta. “Eu errei sim, mas disse que frente a uma agressão dele a mim eu me defenderia inclusive de forma armada”, enfatizou.
VISÃO DE FORA
O líder da bancada do Governo, Hermes Câmara (PSDB), acompanhou a confusão entre os dois parlamentares, disse ainda que não ouviu as falas de Anderson contra o colega e classificou Robério como alguém que não possui controle emocional. “Robério é uma boa pessoa, mas tem pouco controle emocional. Quando é contrariado, perde o prumo. Isso aconteceu já do meio para o final da sessão. Robério falou que daria um balaço na cara de Anderson. Aí, intervimos para tentar apaziguar a situação, interromper a confusão”.

