O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que organizou sozinho a viagem que o levou aos Estados Unidos e negou ter recebido apoio de qualquer governo para deixar o Brasil. A declaração foi dada ao jornal norte-americano The New York Times na primeira entrevista concedida pelo parlamentar após chegar ao território norte-americano.
Durante a conversa, Flávio estava acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que teve o mandato de deputado federal perdido pela Câmara dos Deputados após o registro de faltas em sessões deliberativas da Casa neste ano.
“Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, afirmou Flávio ao jornal.
Questionado sobre como conseguiu chegar aos Estados Unidos, o senador disse que não pretende revelar detalhes da viagem. “Como cheguei até aqui”, declarou, “levarei isso para o túmulo comigo.”
Flávio também afirmou que a decisão de deixar o Brasil foi tomada espontaneamente e negou a participação de terceiros na organização do deslocamento. “Pode ter havido torcida, mas nada além disso”, disse.
O senador, a esposa Fernanda Bolsonaro e as duas filhas chegaram aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira (28). A família saiu da Argentina em um avião particular, fez escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para Miami, onde pousou no aeroporto executivo Miami-Opa Locka.
Antes da viagem, Flávio atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones. Segundo a Direção Nacional de Migrações argentina, o senador entrou no país às 22h50 de terça-feira (27) e deixou o território argentino cerca de 40 minutos depois.
De acordo com o órgão argentino, Flávio e seus familiares apresentaram documentos de viagem válidos e não tinham impedimentos legais para ingressar no país. Na sequência, embarcaram em um voo particular da companhia Baires Fly com destino ao Equador e, posteriormente, aos Estados Unidos.
Viagem é investigada
A saída do Brasil ocorreu após a Polícia Federal solicitar que Flávio entregasse seus passaportes em meio a investigações envolvendo o senador. A movimentação passou a ser analisada pelas autoridades brasileiras.
Informações divulgadas anteriormente pelo The New York Times apontaram que a entrada de Flávio nos Estados Unidos teria ocorrido por meio do chamado parole, mecanismo que permite a permanência temporária de estrangeiros no país por razões humanitárias urgentes ou por benefício público significativo.
O jornal também informou que o senador teria recebido autorização temporária para permanecer no território norte-americano, com possibilidade de solicitar posteriormente residência permanente.
Flávio, no entanto, negou ter recebido auxílio de governos para realizar a viagem e afirmou que a decisão foi tomada por iniciativa própria.

