A equipe jurídica do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a campanha somente disponibilizará seus dados sigilosos após analisar a documentação apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário no segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). A posição foi apresentada nesta quinta-feira (22), em meio à disputa entre os candidatos sobre a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas.
Segundo reportagem do UOL, a campanha de Flávio pretende verificar se Lula cumpriu todas as condições estabelecidas para a abertura dos sigilos antes de entregar os documentos referentes ao senador. A análise da documentação apresentada pelo presidente ficará sob responsabilidade do senador eleito Deltan Dallagnol, ex-procurador da Operação Lava Jato, indicado pela equipe do candidato do PL.
A manifestação representa mais uma etapa da discussão iniciada durante o debate presidencial realizado pela Band, no último domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a autorizar a divulgação de informações financeiras pessoais e de familiares.
Lula apresentou autorização ao TSE
Na terça-feira (20), Lula encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral um requerimento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos oito anos, desde que Flávio Bolsonaro adotasse procedimento semelhante.
De acordo com a Agência Brasil, o documento também incluiu a primeira-dama, Janja Lula da Silva, e os cinco filhos do presidente: Lurian Cordeiro, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio.
A proposta foi estendida às empresas das quais os candidatos sejam sócios ou administradores. No caso de Lula, a petição mencionou a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda.
A documentação foi encaminhada ao presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques.
Flávio apresentou novas condições
Na quarta-feira (21), Flávio Bolsonaro protocolou uma manifestação na Justiça Eleitoral afirmando que aceitava autorizar a abertura de seus sigilos referentes aos últimos 20 anos, mas estabeleceu exigências adicionais.
Entre os pedidos apresentados pela defesa do senador estão informações sobre reuniões entre integrantes do governo federal e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, além de registros de visitas aos palácios do Planalto e da Alvorada.
A campanha também solicitou dados bancários, fiscais e telefônicos de pessoas citadas em investigações relacionadas a descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Outro ponto envolve a divulgação de despesas do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023, registros de viagens e informações sobre a agenda da primeira-dama anteriores a fevereiro de 2025.
Flávio argumentou que a documentação inicialmente oferecida pelo presidente seria insuficiente para esclarecer questionamentos envolvendo pessoas e empresas ligadas ao governo.
Campanha de Lula afirmou aceitar exigências
Na quarta-feira (21), o ex-ministro Camilo Santana, porta-voz da campanha de Lula, afirmou que o presidente não apresentava objeções às condições adicionais propostas por Flávio Bolsonaro.
Segundo declaração publicada pela Folha de S.Paulo, a equipe do petista aceitou incluir na autorização dados relacionados a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente.
Camilo, entretanto, afirmou que a abertura das informações deveria ocorrer de maneira recíproca, incluindo todas as pessoas e empresas mencionadas na petição apresentada pela campanha de Lula.
O porta-voz também questionou a ausência da empresa Alcazar Holdings na contraproposta de Flávio. A companhia aparece em informações investigadas pela Polícia Federal sobre a relação do senador com o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.

