O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (21) que Lula aceita as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos.
Segundo Camilo, a única exigência do presidente é que o candidato do PL também cumpra o compromisso de divulgar as informações solicitadas pela campanha petista ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“A única resposta é que o presidente não se opõe a absolutamente nada que ele está propondo, contanto que ele também cumpra e abra tudo que está pedindo, que o presidente protocolou no TSE. O presidente da República não tem absolutamente nada a se opor a tudo que ele colocou como condicionante”, declarou o senador.
A declaração ocorre após Flávio Bolsonaro apresentar ao TSE uma manifestação com novas condições para aceitar o desafio lançado por Lula durante o debate presidencial da TV Band, no último domingo (18).
Entre os pedidos feitos pelo candidato do PL estão a divulgação de gastos com cartões corporativos da Presidência da República desde janeiro de 2023, informações sobre a agenda da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, antes de fevereiro de 2025, além dos registros de visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada.
Flávio também solicitou dados sobre o uso de helicópteros pela Presidência, despesas da residência oficial e informações relacionadas a empresas ligadas aos filhos do presidente, especialmente Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A campanha do senador ainda pediu a divulgação de dados do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Pedido ao TSE
Na terça-feira (20), Lula protocolou no TSE uma autorização para a abertura dos próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares, condicionando a medida à reciprocidade de Flávio Bolsonaro.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, que será responsável pela relatoria do procedimento.
A autorização apresentada pela campanha petista envolve informações dos últimos oito anos e prevê que os dados sejam disponibilizados em uma plataforma pública, como o DivulgaCandContas, caso haja concordância do adversário.
Além de Lula, os filhos Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís, Luís Cláudio e Lurian Cordeiro Lula da Silva autorizaram seus representantes legais a tratarem da abertura dos sigilos no processo.
A iniciativa teve origem no confronto entre os dois candidatos durante o debate presidencial da Band, quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a divulgar informações financeiras e telefônicas para que o eleitorado pudesse avaliar as acusações feitas durante a disputa eleitoral.

