O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apagou publicações antigas de sua conta no X, antigo Twitter, nas quais criticava o Bolsa Família, chamava programas de transferência de renda de “bolsa-farelo” e acusava o Partido dos Trabalhadores (PT) de utilizar benefícios sociais para conquistar votos. As mensagens foram recuperadas e divulgadas nesta segunda-feira (19), em meio à disputa do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para domingo (25).
A exclusão das publicações foi identificada pelo jornal O Estado de S. Paulo, que havia feito, em junho deste ano, um levantamento do histórico de postagens do senador. O material reunia textos, datas, horários e endereços originais das mensagens, permitindo verificar que publicações anteriormente disponíveis foram retiradas da plataforma.
Entre as mensagens apagadas está uma publicação de junho de 2013, na qual Flávio Bolsonaro afirmou que o PT “perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos”.
Em novembro de 2011, quando exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio também criticou o programa Renda Melhor, criado pelo governo fluminense para complementar a renda de famílias beneficiárias do Bolsa Família. Na ocasião, o parlamentar votou contra a proposta e classificou a iniciativa como uma medida de caráter eleitoral.
Em outra publicação, o então deputado afirmou que poderia apoiar a transferência de renda caso houvesse um limite de tempo para o recebimento do benefício. As mensagens foram preservadas em arquivos digitais e passaram a circular novamente nas redes sociais durante a campanha presidencial.
Publicações antigas contradizem discurso atual
A repercussão ocorre após Flávio Bolsonaro afirmar que manterá o Bolsa Família caso seja eleito presidente. Em vídeo publicado no Instagram nesta segunda-feira (19), o candidato declarou que os beneficiários poderiam ficar tranquilos, pois o programa estaria garantido em um eventual governo.
O posicionamento contrasta com as críticas feitas pelo senador entre 2011 e 2014, período em que associava o Bolsa Família à dependência econômica e ao uso eleitoral de políticas sociais.
Segundo o levantamento do Estadão, todas as publicações mencionadas em uma reportagem anterior sobre as mudanças de posicionamento do candidato foram excluídas. Procurada pelo jornal para explicar a retirada das mensagens, a campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação da reportagem.

