ESMOLA GRANDE, ATÉ CEGO DESCONFIA
Não há como negar: Luiz Inácio Lula da Silva é, gostem ou não seus adversários, a maior força gravitacional da política nacional. Dotado de uma lábia capaz de vender geladeira para pinguim e com um currículo de negociador forjado nos piquetes do ABC paulista, o presidente transformou a arte do convencimento em doutorado informal. Contudo, na empreitada para carimbar o passaporte rumo a um inédito quarto mandato no Palácio do Planalto, até mesmo o mestre dos palanques parece ter chegado à conclusão de que discurso bonito não enche tanque de combustível nem faz a feira. Entra em cena, então, o milagre da multiplicação dos agrados: o indefectível “pacote de bondades”.
Se o calendário de outubro marca a contagem regressiva para as urnas, em Brasília o clima virou véspera de Natal antecipada. A máquina pública abriu os cofres com a generosidade de um herdeiro deslumbrado. Foi um festival de anúncios em sequência: o reajuste do piso do Bolsa Família, o reforço no programa Pé-de-Meia para estudantes, a gratuidade total de dezenas de medicamentos na Farmácia Popular, ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, os Desenrolas 1, 2 e 3, e o perdão de dívidas aos milhões de Micro Empreendedores Individuais – MEIs.
Não parou por aí. Como quem distribui doces em dia de Cosme e Damião, o cardápio eleitoral ainda serviu o crédito consignado facilitado para trabalhadores da iniciativa privada, linhas de financiamento para motoristas de aplicativo e taxistas, subsídios para reforma habitacional, os programas Gás do Povo, Luz do Povo e nova desoneração fiscal para baixar os preços dos combustíveis. Isso sem falar no projeto do fim da escala 6 x 1 que estava há anos adormecido na Câmara dos Deputados. No somatório das planilhas, centenas de bilhões de reais foram arremessados na praça para fazer a roda girar e, de quebra, tentar empurrar o ponteiro da aprovação popular.
O problema é a sabedoria das ruas. O brasileiro pode até aceitar o brinde, mas carrega no DNA o velho adágio: “quando a esmola é grande demais, até cego desconfia”. O eleitor olha para a conta de luz com desconto, olha para o crédito no celular, abastece o carro com combustíveis de preços reduzidos, mas coça o queixo e se pergunta por que tamanha súbita ternura republicana só desabrochou justamente em plena campanha eleitoral.
Para a frustração dos estrategistas da Esplanada, o maná despejado dos céus ainda não operou a mágica do arrebatamento imediato. Os números das pesquisas mais recentes mostram um cenário teimosamente apertado, sem o estrondo nas intenções de voto que a contabilidade governista previa ao assinar tantos cheques. O eleitor embolsou o troco, mas guardou o voto no bolso de trás, olhando enviesado.
Restam agora cerca de 10 dias para o desfecho. No quartel-general da campanha, a aposta é que o efeito retardado da anestesia financeira finalmente faça efeito na reta derradeira e vire o jogo. Se o coração do povo vai amolecer a tempo diante do banquete governamental, só o domingo dirá.
Mas uma coisa é certa: se promessa e benefício de última hora contassem ponto no cartório, o Planalto já estaria despachando direto do paraíso fiscal.
PESQUISA
O resultado da pesquisa Quaest, divulgada na noite da última terça-feira, pela Inter TV, registrando 45% para Alysson Bezerra e 42% para Cadu de Lula, voltou a animar a militância do PT que acredita conseguir reverter o quadro até o dia 25, pois 17% dos entrevistados ainda vão definir o voto para o governo do estado.
ANIMAÇÃO
A animação da militância está exatamente nesse percentual ainda indefinido e que podem estar entre os que já se definiram por Lula como candidato a presidente da República. É lutar para “casar” o voto de Cadu de Lula com Lula.
CAMARÃO
O então governador Cortez Pereira, considerado um visionário em termos de desenvolvimento para o Rio Grande do Norte, deu o ponta pé inicial e tornou o estado como o maior produtor de camarão do Brasil. Isso, lá pelos idos de 1970.
CAMARÃO 2
O período de governo de Cortez Pereira foi de apenas 4 anos (1971 a 1975), tempo suficiente para fazer transformações na economia do RN. “Cortez, o arquiteto do progresso” plantou sementes que impulsionaram o desenvolvimento do Rio Grande do Norte.
PERDEU
Mas há algum tempo que o RN perdeu esse posto de maior produtor de camarão. E perdeu para os nossos vizinhos cearenses que souberam aproveitar o setor para crescer suas exportações.
PERDEU 2
Hoje, o estado do Ceará produz o equivalente a 55% da produção de camarão nacional, enquanto que o Rio Grande do Norte ainda consegue atingir a marca de 22% do que produz o Brasil. E vamos ficando para trás.

