A INDEFINIÇÃO DO PLEITO PRESIDENCIAL
A onze dias da definição do segundo turno presidencial, o ambiente político exibe um contraste perigoso entre euforia e pragmatismo. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) e as forças da centro-direita e da direita comemoram adesões partidárias de lideranças que sucumbiram no primeiro turno, sustentados por uma vantagem numérica conjuntural. Contudo, a história eleitoral brasileira ensina que confundir momento favorável com desfecho consumado é o erro mais primário de qualquer campanha. O clima de triunfalismo antecipado negligencia o ativo mais resiliente da política nacional: a capacidade de mobilização capilar da esquerda e da centro-esquerda articulada em torno de Luiz Inácio Lula da Silva.
O ponto de partida dessa reviravolta psicológica decorre de um erro de cálculo do próprio petismo. No início do processo, parte considerável do comando lulista e o próprio presidente subestimaram a candidatura de Flávio Bolsonaro, encarando-a sob a premissa de um embate fácil — o clássico “pato morto” — e projetando uma vitória tranquila em ritmo de passeio. A realidade impôs um choque de realidade: o bolsonarismo provou ter raízes sólidas, transferibilidade de votos e capacidade de agregar legendas descontentes com o governo. O susto, no entanto, opera como catalisador de reação e elimina qualquer espaço para apatia.
Subestimar o Partido dos Trabalhadores e o bloco que compõe o espectro progressista e de centro-esquerda — abrangendo legendas como PDT, REDE, PSOL, PCdoB, PV, Unidade Popular (UP), PSTU, PCO e outras frentes sindicais e populares — é desconhecer como operam as engrenagens de rua no Brasil. Enquanto a direita comemora apoios de cúpula e acordos institucionais, a militância de esquerda mobiliza diretórios municipais, sindicatos, movimentos estudantis e pastorais que disputam voto a voto nas periferias e nos centros urbanos. Apoios de gabinete nem sempre se traduzem automaticamente em votos na urna; a persuasão corpo a corpo, sim.
Nenhum pleito no Brasil é decidido antes do fechamento das urnas. Os dias restantes colocam em teste a solidez de acordos de cúpula contra a intensidade de uma militância que luta por sobrevivência política. A soberba é a antessala da derrota, e quem der a eleição por encerrada pode ser surpreendido pela força das urnas.
BONDADE
E a equipe do presidente Lula continua criando mirabolantes “bondades” de última hora na tentativa de reverter o quadro eleitoral selado no primeiro turno.
BONDADE 2
Depois de um monte de benefícios somente anunciados no período eleitoral, a equipe de Lula voltou a “descobrir” que os combustíveis poderiam ficar mais baratos, com nova desoneração fiscal. Dito e feito.
BONDADE 3
Agora, os combustíveis – inclusive o óleo diesel que já tem auxílio de quase R$ 3,50 por litro – estão mais baratos. Mas é só por mais 30 dias. Quando não terá mais eleição presidencial.
BONDADE 4
Quem anda “bonzinho” ultimamente é o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Depois do castigo aplicado por 90 dias, Xandão liberou Flávio Bolsonaro para visitar seu pai Jair.
BONDADE 5
Por questões eleitorais, o ministro Alexandre de Moraes havia proibido que Flávio Bolsonaro visitasse o pai em sua prisão-domiciliar. Agora, ainda no período eleitoral do segundo turno, Xandão liberou a visita. O que está havendo?
BONDADE 6
Há quem especule que ao decretar a proibição da visita de Flavio a Jair Bolsonaro por 90 dias, o ministro Alexandre de Moraes acreditava que Lula ganharia a eleição já no primeiro turno.
Zebrou. É aguardar o segundo turno.
ELEITORAL
Ao que parece provado, o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, está agindo com “dois pesos e duas medidas”, agora com decisão favorecendo a Flávio Bolsonaro.
DECISÃO
A sua decisão de mandar retirar do ar o canal “Exército de Lula” contrariou o bom senso e as regras da publicidade eleitoral, mas o seu objetivo mesmo era beneficiar a oposição. O que conflita o seu papel como ministro do TSE e, principalmente, como seu presidente. Gol contra.
LÓGICA
Como não tinha sentido o apoio do prefeito Paulinho Freire ao candidato Cadu de Lula, do Partido dos Trabalhadores, deu a lógica. O prefeito de Natal, a primeira dama e recém eleita deputada federal Nina e mais os vereadores da bancada situacionista na Câmara de Natal estão apoiando mesmo a candidatura de Alysson Bezerra ao governo do estado.
FUTURO
Paulinho Freire sabe perfeitamente o que o senador Rogério Marinho ganhou ao apoiar Alysson como candidato a prefeito de Mossoró. Nada. Na renovação do mandato, queria que o PL indicasse o candidato a vice-prefeito e levou um sonoro NÃO.
RECIPROCIDADE
E não foi só apoio político que Rogério emprestou a Alysson em seu primeiro mandato. Rogério abasteceu a Prefeitura com recursos federais para viabilizar a gestão. Por isso, o prefeito Paulinho Freire não deve esperar nenhuma reciprocidade de Alysson no futuro.

