O CONGRESSO NACIONAL À DIREITA
A partir de fevereiro de 2027, o Congresso Nacional promete funcionar sob uma nova e curiosa dinâmica de convivência. Se as paredes da Praça dos Três Poderes pudessem transpirar, estariam ensopadas de perfume de alfazema e óleo de unção patriótica. Pouco importa quem vencer a maratona presidencial no final das contas: o verdadeiro condomínio do poder já tem síndico, conselho fiscal e estatuto aprovado. E o estatuto, meus caros, foi redigido na mais pura tinta verde e amarela, com adendos da bancada do boi, da bala, da bíblia e do agronegócio corporativo.
A onda conservadora que varre a América Latina — num balé pendular que ora elege libertários inflamados, ora entrega parlamentos inteiros a guardiões da moral e dos bons costumes — fincou raízes profundas sob as duas cúpulas de Oscar Niemeyer. O eleitor brasileiro, cansado das mesmas promessas requentadas em banho-maria há décadas, decidiu operar uma reforma radical no prédio: trocou o carpete vermelho por uma passarela de certezas ideológicas e encheu os plenários de rostos que não negociam convicções sem antes orar ou empunhar uma bandeira.
Se for Luiz Inácio Lula da Silva a descer do púlpito para encarar o seu quarto mandato, a cerimônia terá clima de almoço de domingo na casa do parente chato. O chefe do Executivo terá de governar a bordo de um monociclo sobre arame farpado. Seus projetos de Estado forte e expansão de gastos sociais precisarão de tradutores juramentados para sobreviver a cinco minutos na Comissão de Constituição e Justiça. A cada medida provisória enviada da Praça para a Esplanada, o Planalto terá de oferecer mais que cargos e orçamentos secretos: precisará de milagres ecumênicos para não ver suas políticas evaporarem na poeira de um plenário hostil e pronto para impor derrotas pedagógicas dia sim, dia também.
Já se o inquilino do Alvorada for Flávio Bolsonaro, o cenário muda do calvário para o parque temático. O “Zero Um” encontrará nas comissões um time de primeira linha pronto para passar o rolo compressor constitucional. A tão sonhada extinção da reeleição para presidente, governadores e prefeitos terá tramitação em velocidade de cruzeiro, aplaudida em plenário por parlamentares sedentos por abrir novas vagas na fila de espera do poder. Sem falar nos acenos de vingança simbólica contra a Corte Suprema e no cortejo de reformas desenhadas para reescrever o pacto federativo sem pedir licença a ninguém.
A verdade é que o Parlamento de 2027 nasce não como mero balcão de negócios, mas como uma trincheira ideológica disposta a ditar o ritmo da República. Seja para amarrar os pés de um presidente da esquerda com emendas de ferro, seja para empurrar um governo de direita para além do razoável, quem for subir a rampa do Planalto já pode encomendar o kit de sobrevivência: muito estômago, água benta e um bom manual de como negociar com quem tem certeza absoluta de que está em missão divina.
LULA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no primeiro turno obteve cerca de 1 milhão e 200 mil votos (59,7%) contra 720 mil votos de Flávio Bolsonaro (34,7%) no Rio Grande do Norte, está de volta amanhã a Natal.
CONCENTRAÇÃO
A mobilização de Lula em Natal, neste sábado, 10, anteriormente marcada para a Zona Norte, será mesmo no bairro do Alecrim, por volta das 10h00.
GOVERNO
Com sua vinda a Natal, além de tentar ampliar sua votação no RN, Lula tem por objetivo contribuir mais ainda com a eleição de Cadu de Lula para o governo do estado.
LIDER
Demonstrando ser o maior eleitor do RN, Lula contribui decisivamente para Samanda Alves conquistar uma das cadeiras do Senado Federal e poderá ser decisivo para eleger o substituto de Fátima Bezerra no governo.
ALYSSON
Neste segundo turno, enquanto Cadu “cola” cada vez mais o seu nome ao de Lula, Alysson – que no primeiro turno negou em quem votaria para presidente – terá que associar seu nome a Flávio Bolsonaro que, de certa forma, puxou Álvaro Dias para baixo
FEDERAL
Depois que o seu diretor-geral, Andrei Rodrigo, em plena eleição de domingo passado, tentou passar para a população a impressão de que estaria havendo interferência dos Estados Unidos no pleito eleitoral brasileiro, a Policia Federal encerrou ontem esse processo.
PONTE
Segundo a Coluna do Estadão, com o encerramento desse processo, a Policia Federal, por precaução, faz acenos para Flávio Bolsonaro, embora ainda tenhamos um segundo turno pela frente.
LULA
Sobre o comportamento de Lula no segundo turno, o Estadão diz: “O petista manda dizer à militância que, no segundo turno, a ordem é ter “humildade” e se posicionar contra “o sistema” – como se isso bastasse para o eleitor esquecer que Lula é”.

