Aliados e integrantes da campanha do presidente Lula (PT) atribuem o resultado do primeiro turno das eleições de 2026 a um forte movimento de antecipação do voto útil em Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da disputa. Para petistas, isso pode ser favorável ao atual mandatário no segundo turno.
A leitura entre ministros do governo e membros da campanha petista é de que Flávio pode já ter atingido seu “teto” após essa antecipação de voto útil no primeiro turno.Esse cenário abriria mais espaço para Lula do que para o candidato do PL na busca de votos, na segunda etapa da eleição.
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O diagnóstico feito pela campanha é de que Lula precisará investir sobretudo em agendas nas regiões Norte e Nordeste. Segundo cálculos de petistas, o atual presidente da República perdeu mais de 3 milhões de votos nessas duas regiões em relação ao pleito de 2022.
A aposta dos aliados de Lula é de que medidas de forte apelo popular podem ajudar o petista a recuperar parte desse eleitorado nessas regiões. Entre elas, estão o aumento do Bolsa Família, que começa a ser pago em 19 de outubro, e a aprovação da PEC 6×1, prevista para ser votada nesta semana no Senado.
Lula e os debates no 2º turno
Lula também será aconselhado a participar dos debates do segundo turno com Flávio promovidos por veículos de imprensa. A estratégia prevê ainda intensificar a propaganda destinada a desconstruir a imagem do filho mais velho de Jair Bolsonaro e explorar as diferenças entre os dois candidatos.
Outro fator considerado por aliados de Lula é a possibilidade de alguns aliados de Flávio que já se elegeram não se empenharem no segundo turno. É o caso do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo, e do senador Cleitinho (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais.
“É um cenário difícil, mas não é impossível”, avaliou à coluna um influente ministro de Lula.
Os exemplos de 2006 e 2022
Aliados do atual presidente citam exemplos de eleições anteriores. Em 2006, quando Lula se reelegeu presidente pela primeira vez, seu então adversário Geraldo Alckmin (na época filiado ao PSDB) terminou o segundo turno com 2,4 milhões de votos a menos que no primeiro turno.
Já nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro (PL) ampliou sua votação em cerca de 7 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turnos do pleito. O crescimento, entretanto, não foi suficiente para garantir a reeleição do então presidente da República, que acabou derrotado para Lula.
*Com informações de Metrópoles

