Um grupo de parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, para alertar o governo de Donald Trump contra uma possível interferência nas eleições presidenciais do Brasil. O documento manifesta preocupação com ações da administração americana que, segundo os congressistas, poderiam afetar o processo eleitoral brasileiro, de acordo com o jornal americano The Hill.
A carta foi assinada por 31 integrantes do Congresso dos Estados Unidos, entre eles o senador Bernie Sanders e 30 deputados democratas. Os parlamentares afirmam que o governo Trump estaria adotando medidas que poderiam pressionar instituições brasileiras às vésperas da eleição presidencial marcada para outubro.
Segundo os congressistas, as ações do governo americano fazem parte de um suposto esforço para influenciar o cenário político brasileiro. Eles mencionam, entre outros pontos, medidas econômicas e diplomáticas adotadas por Washington em relação ao Brasil.
Parlamentares citam Flávio Bolsonaro
Na avaliação apresentada na carta, algumas das medidas adotadas pela administração Trump poderiam favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência da República.
Os democratas também relacionaram a política comercial adotada pelos Estados Unidos ao processo envolvendo Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 e atualmente cumpre prisão domiciliar.
Os parlamentares afirmam ainda que a atuação de integrantes do governo Trump em relação ao Brasil poderia colocar em dúvida a independência do processo eleitoral brasileiro.
Carta cobra respeito ao resultado das urnas
Os congressistas pediram que o governo Trump se comprometa a respeitar o processo eleitoral brasileiro e o resultado das urnas, independentemente de qual candidato seja vencedor.
Na carta, os democratas afirmam que os Estados Unidos deveriam atuar em defesa das instituições democráticas brasileiras, e não exercer pressão diplomática, econômica ou política que pudesse enfraquecê-las.
O grupo também estabeleceu 1º de outubro como prazo para que o Departamento de Estado responda aos questionamentos apresentados.
Até o momento da publicação da reportagem, o governo americano não havia apresentado uma resposta pública à carta.
Contexto internacional
A iniciativa dos parlamentares ocorre em meio a críticas do governo brasileiro a medidas adotadas pela administração Trump. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou publicamente que o Brasil não aceitará interferência estrangeira em seu processo eleitoral.
A eleição presidencial brasileira está prevista para ocorrer em outubro de 2026. A preocupação manifestada pelos parlamentares americanos se soma a debates sobre a relação entre os dois países e sobre os limites da atuação de governos estrangeiros em processos eleitorais de outras nações.
As alegações de interferência apresentadas na carta refletem a posição dos parlamentares que assinaram o documento e não significam, por si só, que as acusações tenham sido reconhecidas pelo governo dos Estados Unidos.

